sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Das boas lembranças do Carnaval. Uma crônica ilustrada 3

"Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala.
Você era a favorita onde eu era mestre-sala.
Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua.
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua”
(da canção Quem te viu, quem te vê de Chico Buarque)


Tenho péssima memória! Nasci com esse dispositivo um tanto desajustado. Não posso nem dizer que tenha memória seletiva, que escolho isso ou aquilo para não esquecer; ou que tenho memória fotográfica. Já vivi experiências difíceis com pessoas me abraçando na rua e dizendo de acontecimentos nos quais fui personagem, sem que eu pudesse sequer me recordar do nome, do rosto, da festa, do beijo. Constrangimentos que resolvi encarar com o ar meio blasé, meio nonsense dos que pedem, desde já, o prévio perdão pela “cabecinha fraca”.

Mas do Carnaval recordo ótimos momentos. Ou não recordo nada, mas os crio através das fotos que marcaram minha vida – e onde nem sempre eu era a razão de ser do registro. Ah...se vocês não sabem, sou a filha número 2 e, como tal e de praxe, tenho menos fotos da infância e adolescência.

As fantasias e o baile infantil do Teatro Municipal – caramba, isso faz muito tempo!!! – eram tradição na minha casa. Éramos oito: eu, minha irmã e seis primos. Todos vivendo juntos, mais as mães e os avós num único – embora grande – apartamento com um só banheiro. Como dava certo, não sei. Lembro de uma regra de civilidade quase militar. Não abríamos a geladeira sem autorização; comíamos o que era colocado no prato. Mas não lembro de ter passado aperto algum com um só banheiro em casa. Só sei que desenvolvi uma técnica eficientíssima de sobrevivência e até hoje tudo o que faço nessa área da casa, faço bem rápido. De verdade.

A cada ano, minha mãe e tias, já em janeiro, iniciavam os preparativos, idealizando as fantasias, nos levando à costureira, comprando adereços. Tudo em nome da folia. Elas mesmas, apesar da infância navegada em dias duros e com pouco dinheiro, viveram intensamente os dias de carnaval. Produziam fantasias, divertiam-se na limitação de sua condição financeira, mas jamais permitiram que a chama e clamor carnavalescos não estivessem presentes em nossa infância.
Minha mãe, aos dois anos de idade, no carnaval de 36
Minha mãe e seus irmãos prontos para a folia no Carnaval de 42

Foto histórica: minha mãe e minha tia, tendo ao colo minha irmã e meu primo, de gatinhos, em plena Avenida Rio Branco. Estávamos no Carnaval de 56.

E lá íamos nós para o baile. Ás vezes meio sem entender, mas sempre animados. Não fosse pelas marchinhas, já seria pelo raro prazer de experimentar o guaraná Brahma em garrafa de vidro marrom ou pelos sedutores confete e serpentina. As marchinhas já eram, naquela época, as mesmas que ainda ouvimos e curtimos hoje. “Alalaô, mas que calor!!” “ Índio quer apito, se não der pau vai comer!”. “Ôôôô, Aurora!”

No baile infantil do Teatro Municipal, no Carnaval de 64. O país fervilhava, mas a folia se vestia de tiroleses. Eu, minha irmã e meus primos. Sou a quarta, da esquerda para a direita, e olho para trás porque o mundo sempre foi interessante para mim. Ah..o índio nada tem a ver com a família.

Novamente na matinê do Teatro Municipal, fantasiados de Age of Aquarius no Carnaval de 66. Sou a gordinha de óculos, no alto à esquerda.

Mais alguns anos e já na recém-chegada adolescência, tijucana convicta, começava a desfrutar das matinês e dos bailes noturnos do América Football Club. Minha mãe lá...de olho!! Ali, contudo, deixei de ser a menininha curiosa e pouco sorridente da infância e virei a garotinha que atravessava o salão ao som de Cidade Maravilhosa, esperando que algum garoto daquele grande círculo no entorno das mesas, decidisse dar o passo em direção à boa, embora muda, cantada do braço em torno do meu ombro para a volta no salão. Bons tempos, sem dúvida!

“Mas quem é você, diga logo que eu quero saber.

Amanhã tudo volta ao normal,
deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar...”
(da canção Noite dos Mascarados, de Chico Buarque)


Fazíamos parte de um grupo de carnaval da Rua Pardal Mallet, bem próxima à Campos Sales, a rua do clube, e de lá saíamos fantasiados para a entrada triunfal no salão ao som do bom e envolvente hino do América.

“Hei de torcer, torcer, torcer...
Hei de torcer até morrer, morrer, morrer..
Toda a torcida americana é toda assim...
A começar por mim...
A cor do pavilhão é a cor dos nossos corações...”
( hino do América, de Lamartine Babo)


Deliciosos bailes que terminavam às quatro da manhã e que já retomávamos na matinê do dia seguinte, às quatro da tarde. Sem cansaço, sem restrição ao prazer do divertimento mais pueril.

Mais alguns anos e voltei às matinês, dessa vez com meus filhos, pequenos foliões a repetir e perpetuar a cultura da atração pelos confetes. Piratas, baianinhas, melindrosas...os dois, João Henrique e Ana Luiza, estiveram fantasiados por anos a fio. Até que, crescidos, escolhessem a melhor forma de brincar ou não brincar o Carnaval. Esse foi, talvez, o período da vida em que meu encontro com o reino de Momo tornou-se mais tênue. Minha alma carnavalesca hibernou-se em meio às fraldas, brincadeiras e hora certa para dormir...

Os filhos cresceram, viraram adultos e a folia descompromissada tomou-me novamente. Inapelável e intensamente. Conto os dias que antecedem ao período, penso em fantasias, programo cada passo ao som da batida apaixonante dos surdos e tamborins. Pré-carnavalescos, blocos de rua, o desfile na Marquês de Sapucaí.... me encontro e reconheço na farra insana que nos faz todos tão donos do mesmo reino. Não existem vassalos no reino de Momo e, travestidos ou não, somos todos irmãos da família e da história contada e cantada em emocionados refrões.

“Tanto riso, quanta alegria...mais de mil palhaços no salão,
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina..
No meio da multidão..."
( da canção Máscara Negra, de Zé Keti)


Carnaval de 2009. Nós...saqueando a alegria no Rio Scenarium.



É claro que tudo na vida é escolha. E que poder escolher por prazer é sempre a melhor trajetória. Compreendo os que não entendem a entorpecente folia que mistura e funde, corpos, suores e emoção. Os que preferem o silêncio, a concentração. Os que escolhem a constrição. A todos...a benção do rei supremo. Momo, é claro. Apesar de monarca, ele não é déspota. Ama a diversidade e seu reino não impõe. Só expõe. Que bom que assim seja!!!

E lembre: adoro histórias! As de Carnaval, inclusive. Se tiver alguma saborosa, conte para mim! Quem sabe não a transforme na crônica do próximo Carnaval. Quem sabe!!!


AS CRIATIVAS BRINCARÃO O CARNAVAL, CADA UMA DO SEU JEITO.
ESTAREMOS DE VOLTA NO DIA 2 DE MARÇO.
ATÉ LÁ...DIVIRTAM-SE, PASSEM POR AQUI E SE CRIATIVEM QUANDO QUISEREM!









quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Programação Carioca para o Carnaval 2009

Este fim de semana começou o carnaval lá em casa. Já não era sem tempo de Guilherme começar a curtir o carnaval carioca. Ano passado chegamos a fazer um breve estréia na Banda de Ipanema, mas o tempo não colaborou e, além disso, o pequeno ainda precisava de colo.

O bloco que escolhemos para esquentar os tamborins foi o Gigantes da Lira, tradicional por fazer seu desfile especialmente para crianças, trazendo palhaços, pernas de pau e malabaristas. Fomos de carro para as Laranjeiras com minha irmã e meu cunhado, que são especialistas nos bloquinhos cariocas. Fizemos um caminho alternativo e conseguimos não pegar engarrafamento nenhum e ainda saímos na cara do gol! Estacionamos com facilidade em uma rua bem próxima da concentração do bloco e seguimos a pé para lá.

Eu, que nunca fui uma foliã de carteirinha, resolvi enfrentar os paradigmas e provar o gostinho do carnaval carioca no último sábado. Eu, marido e pequeno vestimos a fantasia e fomos para o tão famoso carnaval de rua da cidade maravilhosa. É verdade que o bloco este ano foi de certa forma invadido pelos marmanjos, o que deixou a organização um pouco chateada e as crianças sem espaço. Ainda sim, nosso programa me fez cair de paixão pelo carnaval carioca e ter certeza que este ano vamos aproveitar tudo que a cidade oferece!

Por motivos óbvios, me interesso bem mais pelas opções tranqüilas e direcionadas ao público infantil, mas isso não me faz ignorar a programação adulta. São muitos blocos, em diversos bairros e horários diversos, e para conseguir aproveitar ao máximo é preciso se programar, escolhendo o roteiro com antecedência.

Para quem prefere levar as crianças para um lugar mais seguro, o Shopping Downtown vai oferecer uma programação incrível! Nos dias 21, 22, 23 e 24 de fevereiro das 16h às 20h, na praça do Chafariz, vai ter Bloco de Carnaval Infantil com Oficina de Percussão – Samba no Pé e Maquiagem Carnavalesca para Criança, o evento é gratuito e uma boa pedida com certeza!

Já para quem quer introduzir os rebentos no mais legítimo carnaval carioca, temos no sábado, 21/fevereiro, o bloco A Pedrinha, versão infantil do A Rocha. O bloco sai do Planetário, por volta das 10h, e faz num minidesfile até a PUC. Na segunda de carnaval, 23/fevereiro, temos o famoso Cordão Umbilical, que sai no Humaitá, no Largo dos Leões, por volta do meio dia. Na terça, 24/fevereiro, tem o Bagunça Meu Coreto, que sai às 16h da Praça São Salvador, em Laranjeiras, e o Zoobloco no Centro, neste todo mundo se veste de bichinho e a criançada fica doida! Ainda no mesmo dia a Orquestra Voadora fará um baile no Parque do Flamengo, atrás do MAM às 16h.

Já na programação adulta temos o desfile das escolas de samba do grupo especial no Sambódromo - domingo e segunda – sem falar na vastíssima programação de blocos, completa no Guia dos Blocos Carnavalescos, rodas de samba e discos do Rio que está aí em imagens para vocês. Quem quiser basta imprimir para levar o seu no bolso!










segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Imagens de um Carnaval

Dando início à semana de carnaval do Criative-se eu precisava fazer um post que falasse de.... Carnaval, certo? E como gosto de falar de fotografia, não tinha porquê falar, por exemplo, dos blocos do Rio de Janeiro. (Calma, vamos falar disso e colocar vocês a par de tudo que acontece no universo carnavalesco da Cidade Maravilhosa) Eu nem mesmo me animo pra pular o carnaval em meio à multidão. Assim, pensei de que tipo de carnaval falar. Não precisei pensar muito e me veio à cabeça a suntuosidade e beleza das máscaras do carnaval de Veneza.


Foto: NI Francisco

Tenho loucura pela Itália, um lugar que ainda hei de conhecer nessa vida. Tem uma magia aquele país, aquela arquitetura, tem cheiro de romantismo no ar. Veneza é uma das cidades que estão nesse futuro roteiro. É, mais que uma cidade, um encontro com a arte e a arquitetura, oferecendo aos olhos toda a riqueza e beleza de suas dezenas de igrejas, palácios de arquitetura renascentista e museus. Sem contar a tentação de ter lojinhas básicas como Prada, Gucci, Versace, Armani, Dolce & Gabbana, assim, pertinho, na esquina. =))

Pois o carnaval de Veneza é conhecido pela beleza das máscaras e bailes. É, mais que festa, é contemplação! Preza pela beleza, pelas formas, pelo design. Não imposta se as máscaras são luxuosas ou mais simples, o importante é entrar no clima. A história das máscaras lembra os nobres e damas do século XVII. Naquela época, os nobres venezianos procuravam manter o anonimato atrás das máscaras para se divertir durante as noites, traindo as esposas, sem serem identificados. O mesmo faziam as damas, vestidas de colombinas. Uma atmosfera de passado domina a cidade durante o carnaval.

Fotos do Google Images, Lorena Barbier e Pierpaolo


Claro que a temperatura da cidade ajuda a escolha deste tipo de fantasia. Não dá pra comparar a média de 10° de lá com os quase 40 °, por isso aqui temos tanto biquíni e shortinho desfilando no carnaval. Diria até que é uma escolha saudável, né?

E o clima em Veneza é assim, uma mistura de luxo e simplicidade, alegria e sobriedade das máscaras mais famosas do mundo.

Um carnaval tranquilo, onde as crianças têm seu espaço e aparecem sempre fantasiadas. As pinturas nos rostos são comuns, feitas por artistas de rua e que encantam e dão ainda mais graça ao Carnaval.

Enquanto não consigo ir à Veneza passar o Carnaval, fico feliz da vida em arrumar as malas, montar a barraca e acampar um Itamambuca, praia de Ubatuba, uma hora depois de Paraty. Eu adoro acampar!! Claro que ficar em hotel várias estrelas é muito bom, caminha macia, lençol 540 fios egípcios, café da manhã bonzão, banheiro só nosso... mMas acampar é “bomdimais” da conta!!!



É diferente... tem gostinho de juventude, de bagunça que a mãe não deixava a gente fazer, de brincar de casinha, improvisar coisas, estar bem perto dos amigos (tão perto que se escuta o ronco deles!). É acordar cedo porque o sol faz da barraca uma estufa (ou porque a chuva tá caindo forte lá fora e você precisa ver se está tudo em ordem e a lona está aguentando...), aproveitar o dia... até o finalzinho. É voltar do jantar para ficar sentado na cadeira de praia, papeando com amigos até o sono te empurrar pra dentro da barraca! Acampar é ser sem terra... é estender uma "lona carreteiro" e fazer um acampamento MST!!! É ajudar o vizinho quando a lona dele "embarriga" de tanta chuva, é oferecer um pouquinho do seu churrasco, é dar o que você não vai mais usar... é política da boa vizinhança!! Mesmo quando a vizinha reclama do seu som alto... Campista não rouba nem shampoo no banheiro!!! (rsrsrsrs) Deixa no lugar porque sabe que o dono vai voltar... Acampar é bom demais!! E Itamambuca é delícia pura... é Rio, mar e piscina juntos, é praia e montanha, pássaros, capivara e caranguejos convivendo em harmonia... eu adoro Itamambuca. E passar o Carnaval lá é sagrado, é meu retiro, é meu descanso... nossa casa de praia... de pano!!



Fotos de Itamambuca e Paraty: Beta Bernardo

Desejo um carnaval tranquilo pra todo mundo, sem excessos, mas cheio de alegria e curtição. Aproveitem o restante da semana especial de Carnaval do Criative-se. Tá recheada de coisas interessantes. Nos vemos na próxima semana. ;)



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Viva a diferença! Mais uma crônica ilustrada


O mês de fevereiro de 2009 marca os 200 anos de nascimento de Charles Darwin, autor da teoria da evolução das espécies. O grande pensador que ousou romper com a visão bíblica da origem da homem – onde os holofotes estavam dirigidos à dupla dinâmica Adão e Eva – e provou que descendíamos dos macacos.
Adoro essa idéia! É tropical, exótica, moderna e nos faz todos, embora donos de uma mesma origem, deliciosamente diferentes. Sabe quando mais me lembro que somos irmãos dos macacos? Quando escuto, por exemplo, a abominável expressão “festa de gente bonita”. Tenho sempre vontade de perguntar: e qual o critério de beleza? E se alguém “feio” chegar na festa? Vai ser barrado? Gordo pode ser bonito? E negro? E pobre? E se a roupa não seguir os padrões da modernidade? Gente maldosa pode ser bonita? E bonito pode ser desonesto?

Adoro festas arrumadas, bons drinks, ótimos restaurantes, roupas legais, mas gosto de gente feia também. Tem uns feios que preenchem meu coração como nenhum bonito seria capaz de fazê-lo. Adoro a diferença e não quero permitir que o meu preconceito – porque é evidente que tenho também – me impeça de raciocinar sobre o quão bom é o efeito da diferença sobre a vida da gente.

Comecei a pensar nisso – confesso – alguns dias depois da manhã do dia 28 de abril de 1983 quando me descobri de frente à diferença. Nesse dia nasceu Deco, meu sobrinho e portador de Síndrome de Down. Em meio ao impacto da descoberta, de todas aquelas coisas meio doentias que surgem na nossa cabeça sobre “porquê conosco”, do choro e da angústia de minha irmã e meu cunhado, havia ainda um bebê com uma patologia cardíaca e precisando de ajuda e dedicação. As múltiplas pneumonias e internações dos primeiros cinco meses de vida e a cirurgia cardíaca em São Paulo formaram um turbilhão de emoções e acontecimentos que só depois, nos meses seguintes, foi possível tornar racional.


A diferença estava ali, mas ela podia ser a informação, a luz, o livro enriquecedor que muda a sua vida porque muda o seu olhar. Não tenho dúvidas em afirmar que sou muito melhor depois do nascimento do Deco. Que fui uma mãe melhor também por isso. Que meus filhos puderam conviver desde sempre com um primo diferente e que se tornaram pessoas mais humanistas e cidadãs.

Se vocês querem saber, Deco é um rapaz de quase 25 anos, viajadíssimo, conhece vários países, faz musculação, teatro, tem namorada e trabalha na Light. É divertido e, às vezes, chato demais. Como todos nós, que somos diferentes entre si e tão dependentes uns dos outros. Adora uma festa – nisso puxou a família – e vai para “night” como todo jovem descolado. Curte funk, praia e – para minha decepção – torce para o Vasco. Ah...sim! Tem noção que é diferente e sabe o quanto isso instiga e desafia. Que bom!

Quero a diferença sempre porque ela me traz novos ângulos de visão e de possibilidades; é instigante, provocador, quebra a métrica e abre os horizontes. Como viver cotidianamente num ambiente de criação e não abrir os olhos para tudo e para todas as pessoas que nos cercam? Isso também é design, é estética, é fotografia, é texto....é vida.





Como já dizia o mestre maldito Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Não quero que todos concordem, muito ao contrário. É esse colorido mosaico, multiétnico, multicultural, mullticriativo que faz a razão e o prazer do Criative-se.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Arquitetura de Interiores e Eu

Desde muito novinha, sempre quis ser arquiteta. Ainda nos tempos de escola, sonhava em participar de mostras de decoração. Além de todo o encanto que tinha pela estética, a idéia de ser profissional liberal era muito atraente. Afinal, sempre pensei em como seria quando chegassem os filhos...

O período de faculdade foi maravilhoso. Total liberdade de expressão! Lá era possível projetar sem limitações, sem orçamento para seguir e sem cliente para limitar. Sem dúvida nenhuma, era o que eu queria para mim!

Chegou a época dos estágios e lá fui eu. Em arquitetura é bem fácil conseguir estágios, afinal é mão de obra barata e especializada. Trabalhei em empresas de grande e de pequeno porte. Ali começava a me preocupar com o futuro, pois percebia que não era tarefa fácil sobreviver de arquitetura. Na época era dificílimo alguém conseguir se formar já empregado, pois era mais barato usar a mão de obra de estagiários.

Me formei e consegui um contrato na CEHAB. Acho que aquele foi o pior trabalho que tive na vida, mas como não pintava nada melhor, ia agüentando. Naquela época participei do Master Casa, uma mostra de arquitetura e decoração realizada na região serrana. No entanto, não consegui muito retorno deste investimento e fui ficando cada vez mais desanimada com minha profissão. Aí resolvi alçar novos vôos. Fiz uma pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e acabei conseguindo um novo emprego com meu orientador de monografia. A partir daquele momento minha vida mudou de rumo! Esta era, sem dúvida, a opção mais bem remunerada que poderia ter de imediato, embora fosse, sem dúvida, a menos criativa...

Para minha sorte foi cerca de dois meses depois que mudei de área profissional que pintou o meu primeiro grande projeto. A empresa TNG tinha um escritório no centro da cidade, com cerca de 300m2, o cliente tinha dinheiro para gastar e não queria saber de economia!!! Foi um sonho!!! Convidei a Chris, uma amiga arquiteta super-competente para trabalhar comigo porque minha disponibilidade de horário era um pouco limitada. Ali fizemos uma parceria que segue dando certe até hoje! Colocamos tudo abaixo e tínhamos muita liberdade de criação junto ao cliente, que topava praticamente tudo o que sugeríamos.

Alguns meses depois pintou mais um grande projeto, desta vez para a Box Cinemas. Remodelamos toda a área administrativa desses executivos espanhóis! Desta vez o cliente era bem mais econômico e tínhamos um enorme problema: o prazo. Eles precisavam da obra pronta e mobiliada em 25 dias!!! Era uma tarefa quase impossível, pois as lojas de móveis pedem no mínimo 45 dias para a entrega. A solução foi partir para o nosso marceneiro de confiança, que produziu todas as peças desenhadas por nós em tempo recorde! Sem falsa modéstia, os móveis ficaram ainda mais bonitos do que os comprados em lojas e nós entregamos a obra completa dentro do prazo.

Nós íamos seguindo desta forma, com um emprego fixo no horário comercial e pegando os projetinhos e obras por fora. Pouco antes de engravidar fechamos mais um projeto grande, agora para uma nova equipe que havia ficado com a antiga TNG. A empresa tinha mudado do antigo endereço e os novos proprietários, a Brasil PCH, nos contratou para fazer ajustes no projeto. Desta vez não tínhamos liberdade de criação, o cliente tinha um perfil bem cartesiano, natural dos engenheiros e foi bem difícil dobrá-lo, mas ainda assim executamos a obra com um belíssimo resultado. Encerrei esta obra com três meses de gestação e já um pouco cansada da jornada dupla. Eu precisava decidir entre a segurança da carteira assinada, que me assegurava licença maternidade remunerada ou a minha amada arquitetura... Eu seria louca se decidisse diferente. Precisei tirar longas férias dos projetos e esperar a chegada do pequeno Guilherme com mais calma e menos estresse.

O tempo passou e hoje meu filho já está um meninão de quase dois anos. Aí ressurgiu em mim a necessidade de criar. Foi quando pintou a chance de comprar o nosso primeiro imóvel próprio. É um apartamento bem antiguinho, mas muito gostoso e bem localizado, sonho de qualquer arquiteto! Adivinha se vou quebrar tudo? Estou com o projeto mais importante da minha vida em andamento e isso fez com que eu me sentisse renovada! Junto a isso aconteceu o CRTVS, outro enorme prazer para mim. Vou aproveitar este espaço para dividir com vocês inúmeras dicas legais de arquitetura e decoração, acompanhando tudo passo a passo!!!

Detalhe: para a minha felicidade ser ainda maior, a Chris, minha sócia, me ligou há duas semanas me perguntando se eu topava administrar uma obra aqui no centro da cidade! É muita emoção para este pequeno coração! A obra vai começar em março, junto com a do meu apartamento. Força na peruca, que tem muita ralação à vista! Assim vou deixando esta vida me levar por caminhos sinuosos que, algumas vezes, me parecem estranhos, mas que, com certeza, no final sempre me levam para o lugar certo - o caminho da felicidade!




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Fotografia - Paixão Antiga

Eu sempre gostei de fotografia. Não consigo puxar da minha memória qual o registro mais antigo que tenho de fotos x infância, mas me recordo bem de sempre registramos nossos momentos com fotos. Meu pai tinha sempre uma câmera na mão nas viagens e temos um pequeno armário em casa cheio de fotos e álbuns. Então cresci aparecendo em fotos e isso não parou. Já falamos aqui da revolução que foi a fotografia digital na vida de todos, mesmo quem não tinha o hábito de tirar fotos, hoje tem sempre uma câmera à mão. Isso aumentou ainda mais minha paixão por fotos.




Ainda tenho a minha Canon de filme com zoom de 12x, que comprei em 2003, já no desejo de ter uma Reflex, mas a falta de habilidade e conhecimento me fizeram optar por uma compacta. A câmera era danadinha de boa. Viajei com ela pro Nordeste, numa viagem que fiz sozinha, alone, by myself, e registrei lindas paisagens com ela. Fui para aquela viagem com 2 câmeras, essa Canon de filme e uma Sony das primeiras gerações de câmeras digitais, que era da minha irmã. As pessoas me perguntavam se eu era repórter, porque havia momentos em que eu tinha as 2 penduradas no pescoço. hahahaha. O resultado foi um registro completo da viagem, coisa que penso em resgatar num fotolivro. Eu havia revelado todas as fotos, feito um álbum, mas num assalto levaram meu carro com ele dentro e lá se foi tuuuudo!! Agora me resta catar os negativos e digitalizar tudo pra juntar às digitais, que mostro aqui pra vocês:









Adendo: Claro que hoje, ou melhor, logo depois que baixei essas fotos da viagem pro Nordeste, eu não uso datador nas fotos. Essa função é totalmente desabilitada nas minhas câmeras. Dá pra perceber como ele tira o brilho das fotografias, né?? Sei lá... não gosto!!

A essa altura a era digital tinha chegado pra ficar e já era 2006 e estava indo pra minha viagem de lua de mel. Tá na hora de ter a minha digital. Olhei várias câmeras maneiras, mas de novo o medo de ter um equipamento e não conseguir usá-lo bateu e eu adiei o sonho de novo. Era a minha Sony compacta registrando tudo que tinha direito. Com o tempo fui me atrevendo a mexer na opção P (Program) e fazendo alguns testes. Foi com ela que registrei nossa Lua de Mel em Maceió.


Mas o desejo por algo a mais no campo da fotografia não me abandonava, pelo contrário, só crescia. E depois de muito namorar nas vitrines e sites, ganhei do maridão minha Sony H7. Ela tem um porte de câmera manual, tem várias funções manuais, mas algumas limitações. Limitações que não sinto na sua totalidade porque ainda não domino as técnicas de fotografia. Então, com ela meu universo da fotografia acabava de crescer!!! Minha câmera é uma paixão. Tá sempre comigo. Só não posso dizer que ando com ela na bolsa porquê o tamanho dela não ajuda, né? Mas uso aquela lente como extensão do meu olhar e tenho me esforçado pra fazer com que ela registre tudo que posso ver da maneira mais fiel possível.

Com o Criative-se veio o impulso necessário pra que o desejo de fazer um curso de fotografia e de ter a minha câmera dos sonhos saíssem do papel. O curso que escolhi terá uma turma em março e lá estarei eu, dando os primeiros passos pra ter meus conhecimentos teóricos e principalmente, realizar um sonho. Em paralelo a isso tem a aquisição da câmera. Isso é mais complexo, é preciso pesquisar modelos e marcas e muita informação ainda precisa ser buscada. Tô trabalhando pra isso.

Acho que isso tudo é só o começo. A paixão pela fotografia não é de hoje, mas sinto-a cada vez mais presente na minha vida, no meu dia a dia. Eu vejo fotografia em tudo. Dirigindo eu tenho vontade de fotografar, é um pássaro que passa voando fazendo pose, é um por do sol por trás do concreto da cidade, é o arco íris após a chuva de verão... Meus olhos registram fotografias o tempo todo, só não consigo materializá-las... ainda!! =))

Eu comecei o ano devagar, achando que não tinha metas audaciosas e desafiadoras pra 2009... acho que me enganei.


Segundo Encontro CRTVS

Há muitos e muitos anos, nos tempos medievais, quando por algum motivo era necessário tomar alguma decisão criativa, o rei convocava uma reunião e, no jantar, servia muita comida e bebida. Seus conselheiros comiam e, principalmente, bebiam fartamente até que se sentissem leves o suficiente para expressar suas idéias e soluções mais criativas, idéias estas que, muitas vezes sóbrios, nunca teriam coragem de colocá-las ao rei. O bobo da corte era o único proibido de beber e também era o responsável por anotar absolutamente tudo o que era dito naquela noite. O encontro invadia madrugada com muitas gargalhadas e milhares de sugestões. No dia seguinte, o mesmo grupo voltava a se encontrar, desta vez sem a presença do vinho, e a ata gerada na reunião anterior era lida e discutida sobriamente.

Esta é apenas uma história, um conto de uma época muito antiga mas, eu acredito, de alguma forma eles tinha razão...

O CRTVS é muito mais do que apenas um grupo virtual. Nós somos reais e muito reais! Tão reais que não aguentamos ficar separadas pelo computador todo o tempo, precisamos nos encontrar! Temos necessidade de papear, de gesticular, de rir, de ter prazer em estar juntas e, logicamente, brindar a felicidade de cada momento!

Por incrível que possa parecer, a equipe CRTVS não é uma relação antiga. Kátia, Karla e Verônica são amigas e trabalham juntas há algum tempo; eu e Roberta somos amigas e também trabalhamos juntas há uns três anos. Eu sou sobrinha da Verônica e fui o elo de ligação entre o lado A e o Lado B, no melhor sentido, é claro! Mas o grupo unido se conhece melhor há apenas duas semanas! Foi na semana anterior ao lançamento do CRTVS que marcamos nosso primeiro encontro e, posso garantir, foi amor à primeira vista! Apenas alguns dias depois deste encontro já nascia o nosso blog. Nossa sintonia foi perfeita!

Além dos drinks e do papo bom, nossas reuniões têm pauta e ata! Isso mesmo, somos muito organizadas! E estava registrado em nossa primeira ata a programação de reuniões bimensais. Mas quem disse que aguentamos ficar separadas por tanto tempo? Milhares de idéias e decisões a tomar fizeram com que, quinze dias depois do primeiro encontro, fosse necessário ver-nos novamente! Ontem brindamos com espumante geladinho o sucesso do Espaço Criative-se!

Algumas decisões importantes que tomamos queremos dividir com vocês leitores, que participam tão ativamente daqui. Pretendemos em breve receber convidados, que podem ficar conosco por uma semana, um dia ou mesmo apenas um post. Ficou decidido também que teremos entrevistas e semanas temáticas: a primeira será a do carnaval, fiquem ligados!

Deixamos aqui algumas imagens da noite de ontem para que vocês possam curtir um pouquinho do que foi o nosso delicioso encontro.



















Complementando....


Esse espaço criativo tem sido de enorme prazer para a equipe e para os que por aqui passeiam. E para que esse prazer se solidifique, criaremos algumas ferramentas que vão facilitar a navegação por nossos posts e criações. Em breve, além da divisão dos posts em categorias ou temas, teremos um link direto para os arquivos através do nome de cada um dos membros do Criative-se. Essa dinâmica gráfica vai facilitar o acesso daqueles que nos visitam também em busca de textos e postagens autorais. Não temos restrição alguma aos amigos e até mesmo aos fãs individuais de cada uma das Criativas. Ao contrário, queremos ser conhecidas e reconhecidas pelo prazer e alegria que dedicamos às nossas criações.

Ah..mais uma novidade em breve: na home da blog, já na próxima semana, teremos um avatar bem humorado de cada uma das cinco criativas. E, é claro, um perfil bem atualizado de quem somos.

Venha se divertir conosco!!!





segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Dia de festa: detalhes que fazem diferença

Como a maioria das mulheres, eu adoro detalhes, mimos, brindes, frescurinhas. No armário do meu quarto existem mais acessórios do que roupas. Tenho muitos sapatos, pulseiras, bolsas, brincos, anéis, colares e faixas de cabelo. E não sou diferente quando o assunto é festa.

Com a correria do dia-a-dia, nem sempre tenho tempo de preparar alguma coisa especial quando recebo os amigos em casa. Mas quando o "evento" acontece no final de semana, a história é diferente. Gosto de acordar cedo e pensar onde vou servir cada canapé, pastinha, torradinha e etc. Primeiro separo as cestas, pratos, bowls e talheres. Depois escolho os copos ou taças de acordo com a bebida a ser servida: vinho, cerveja, espumante, cocktails. Em seguida, penso na toalha, nas flores, nas velas, na decoração da mesa. Adoro velas e sempre acendo algumas porque acho que criam uma atmosfera romântica, aconchegante e suave. Num jantar a dois ou reuniãozinha com amigos, velas sempre são acesas!

Outro dia estava assistindo a um reality show que retratava a rotina de uma celebridade preparando uma festa. O evento acontecia pela manhã no jardim da casa e os convidados usavam roupas despojadas e coloridas. De repente apareceu um garçom que servia batatinhas fritas dentro de um cone de papel pardo. Achei a idéia interessante. Não era tão original mas dava um certo charme... E é esse charme, detalhe, surpresa ou "mimo" que eu gosto de oferecer aos amigos que frequentam meu "lar doce lar". Estou sempre passeando por blogs que falam sobre casa, decoração, arrumação de mesas e etc. São uma ótima fonte de prazer e inspiração! Gosto de me basear em alguma coisa e depois adaptá-la à minha realidade.
Foi o caso dos cones. Pensei em usá-los no aniversário do meu pai, que estava próximo. Depois de queimar muitos neurônios tentando decidir o que dar de presente, conversei com minha irmã e tivemos a idéia de fazer uma pequena comemoração convidando apenas a família direta e o melhor amigo, que por acaso faz aniversário no mesmo dia. Esse seria o nosso presente.

No cardápio, sanduíches incrementados e cervejas importadas. Eu já tinha feito uma experiência com sanduíches e recheios diferentes e decidimos repetir a dose. Achamos que combinariam bem com as cervejas, além de ser uma solução prática, rápida e deliciosa! Montamos três tipos de sanduíches: um de rosbife com pasta de alho e aipo, tomate seco, rúcula e parmesão; um segundo com pastrami, tomate, manjericão, azeite aromatizado com alho e ervas e queijo parmesão. Por último, presunto alemão cortado bem fininho (que eu adoro, pena que é difícil encontrar!), queijo brie e mostarda escura.

No meu caso, essas festinhas também são uma ótima oportunidade pra pesquisar e colocar em prática receitas de canapés e belisquetes. Foi o que fiz: damascos marinados no suco de laranja com recheio de gorgonzola e tomate cereja com manjericão e o mesmo queijo. O segundo ficou uma delícia, é sucesso garantido! Já o damasco talvez ficasse melhor com um queijo menos forte, poderia ser um cottage temperado ou queijo de cabra.

Pra complementar a decoração, fiz os cones usando padronagens que criei na hora e plaquinhas listando os ingredientes de cada sanduíche. A inspiração das padronagens e cores partiram de um guardanapo de papel listrado que comprei pra usar na festa. Até as gérberas tinham os mesmos tons de amarelo, laranja, vermelho e rosa. Pra rechear os cones usei um mix de frutas secas: amêndoas, castanhas de caju, passas, amendoim e castanha do Pará. Na hora de arrumar a mesa, percebi que não sabia como deixar os cones em pé mas logo surgiu a idéia de colocá-los nos copinhos pra vela de réchaud. E deu certo!


Terminada a arrumação da mesa, só faltou acender as velas, perfumar a casa, colocar um CD de bossa nova e esperar os convidados pra mais uma noite de bom papo, risadas gostosas, boa comida e cerveja gelada!


Pra fazer os cones é bem fácil e rápido! Você vai precisar de uma folha de papel liso ou estampado dos dois lados. Nesse caso, escolhi uma padronagem bem bonita em tons de verde criada pelo meu talentoso amigo e designer Wagner Campelo (http://padronagens.wordpress.com). Separe também um rolo de fita dupla-face (com cola dos dois lados) e uma tesoura ou um estilete.
1. Corte quadrados de 16 cm x 16 cm no papel escolhido e cubra uma das laterais com a fita.
2. Comece a enrolar o papel no sentido indicado na foto até colar toda a fita.
3. Seu cone está pronto pra ser recheado com biscoitos, castanhas, chocolates, balas, brindes e etc. É só soltar a imaginação e ser criativo!

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