sexta-feira, 27 de março de 2009

Prá lembrar quando fui feliz. Uma crônica ilustrada 6

Há um lugar para ser feliz, além de abril em Paris.

Não...nunca fui à Paris em abril, mas fui muito feliz por lá. E também quando fui à Gramado; quando conheci Porto de Galinhas; quando vou à casa da minha irmã para os deliciosos e intermináveis almoços familiares; quando estamos todos reunidos na praia, ao sabor do sol, de frente pro mar, tomando mate de galão e papeando sem compromisso. Não importa o lugar, o país, a estação do ano, a grana que sobra ou que foge. Alguns momentos, fugazes ou generosos, serão sempre a expressão da perfeita sintonia entre viver e desfrutar.

Você certamente já viveu esse instante em que somos capazes de alterar os movimentos de rotação e translação da Terra e a fazemos parar. Só para olhar, só para sentir, só para registrar e lembrar. Uma sensação que sempre comparo ao conforto autoexplicável dos segundos que se seguem ao prazer do sexo amoroso.

Pensei nisso lendo a coluna semanal do Artur Xéxeo, no Jornal O Globo, onde ele, ao comentar sobre as matérias produzidas para brindar a chegada do outono, lembrou da música do Ed Mota que adoro e da qual peguei emprestado a frase que começa a crônica de hoje. “Há um lugar para ser feliz, além de abril em Paris. Outono, no Rio”.

Sim, o outono é lindo no Rio de Janeiro. Mas é absolutamente avassalador em Paris. E porque gosto de lembrar onde e como fui feliz, onde e como tenho construído minha história, pensei em contar essa estória por aqui. E não...não pensem que só acho possível ser feliz em viagens, na Europa ou, mais especificamente, em Paris. Como disse aí em cima, os momentos mais simplórios costumam me trazer um bem enorme. Mas é de ser feliz, talvez em Paris, que falo aqui.

Conheci a cidade iluminada durante o outono. Foi num dia cinco de dezembro. Chegamos( eu, Carlos, minha irmã e meu cunhado) ao Aeroporto Charles De Gaulle, pegamos o trem RER (em Paris, as linhas de metrô e trens são comuns), e trinta minutos depois desembarcávamos, de malas e alma, em plena estação Saint-Michel Notre Dame para conhecer, desvendar e me apaixonar por Paris.

Já fazia algum frio, a mala pesava, mas a cada degrau que vencíamos em direção à rua, os pequenos trechos que se descortinavam aos olhos me traziam a certeza de que viveria mais uma vez a deliciosa experiência de sentir-me tomada pelo vento bom que nos inunda quando somos felizes. E caminhamos e nos perdemos várias vezes procurando nosso hotel ( Hôtel de Notre-Dame, localizado bem próximo à fantástica catedral gótica). Diante do impacto avassalador que me tomou no momento em que vi e senti a cidade, já não sabia mais se olhava para o mapa, se observava as grandiosas construções, se curtia as pessoas que cruzavam a nossa frente ou se me dava conta dos atropelos de cruzar calçadas cheia de malas. Tenho gravada na minha memória esse instante, o deslumbramento que experimentei e o registro do “ali eu fui feliz”.

As cores do outono em Paris. A foto foi tirada na Champs Élisée, tendo ao fundo o Hôtel des Invalides,um enorme monumento parisiense , cuja construção foi ordenada por Luis XIV, em 1670, para dar abrigo aos inválidos de seus exercitos. Hoje em dia continua acolhendo os inválidos, mas é tambem uma necrópsia militar e sede de varios museus. Napoleão Bonaparte foi sepultado lá.

Queria falar um pouco desse meu olhar sobre Paris, muito pessoal e apaixonado. A cidade é deslumbrante, qualquer pessoa fazendo o roteiro mais básico e tradicional, vai se apaixonar. Portanto, em caso de possibilidade, não desperdice. Fui a todos os ícones turísticos da cidade e carimbei minha presença em lugares que todos vão. Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Montmartre, Museu do Louvre, Jardim de Tuileries, Montparnasse, Champs Élysée, Invalides, Museu Rodin, Gendarmerie, Opera de Paris e até no Palácio de Versailhes.

Mas não vou esquecer do percurso que fizemos a pé de nosso hotel até a Torre Eiffel. Três estrelas honestíssimo, nosso hotelzinho ficava no lado sul da Rive Gauche, entre o Quartier Latin e a Notre Dame, numa rua pequenina chamada Maître Albert, e onde estavam localizados alguns dos mais simplórios e charmosos estúdios de design que já vi na vida. Na verdade, se existe algo que realmente dispara meu coração em Paris é a surpresa de estar numa metrópole linda, com edifícios e construções oriundos do apogeu monárquico, mas com um cotidiano tão simplório quanto sedutor.

O marco mais famoso de Paris, a torre foi construída por Gustave Eiffel para a Exposição Mundial de 1889, centenário da Revolução Francesa.

E foi andando através da cidade, de suas ruelas e das grandes avenidas sonhadas pelo absolutista Luis XIV, que vimos aproximar de nosso olhar a imponência daquela construção em ferro, erguida em 1889 em homenagem ao centenário da revolução francesa. Uma sensação semelhante assim ao encantamento da primeira bicicleta; ao calafrio quente do primeiro beijo de amor. E me vi criança outra vez, encurtando os últimos metros com o passo acelerado do coração. Inesquecível sensação. E voltei a repetir a emoção na saída do metrô na estação do Arco do Triunfo. O céu infinitamente azul recebendo de braços abertos o monumento construído para celebrar as vitórias militares de Napoleão.
Saindo da estação do metrô e tendo meu primeiro e mágico olhar sobre o Arco do Triunfo.

Fui feliz quando me embrenhei pelo Jardim de Tuileries, entre a Praça da Concórdia e o Museu do Louvre, Ali, em frente ao grande lago, permiti que aquele novo amor contasse a história da minha viagem. Porque adoro jardins grandiosos e bem cuidados. E aquele parece ter saído de um conto de fadas, onde a jovem camponesa troca o primeiro olhar com o príncipe encantado. E também fui feliz em frente ao Louvre, quando vi realizado o sonho de, tal qual Robert Langdon, sentar em uma das quinas da pirâmide de vidro e viver a sensação de ter um mundo de arte e torpor aos seus pés. Ali, ao contrário dos muitos que visitam o museu, me dediquei a admirar o salão das obras e esculturas romanas – profundamente sedutoras para mim. E ver crianças das mais variadas idades, sentadas no chão a desenhar, admirar e estudar, desde cedo, a história de nossa civilização através da riqueza das obras de arte. Incrível.
O Museu do Louvre foi originalmente uma fortaleza fundada em 1190. Em 1546, o rei François I decidiu transformar a construção em um palácio real. O local virou museu em 1793 e hoje ocupa uma área de 156 mil metros quadrados. O acervo está distribuído em três alas, batizadas com o nome de grandes funcionários de estado da história da França: Sully (Ministro da Fazenda do rei Henry IV), Richelieu (Cardeal e Ministro do rei Luís XIII) e Denon (1º Ministro do Museu Central de Arte no governo de Napoleão I).Sua coleção permanente conta com 35 mil obras expostas. A mais famosa é a Monalisa, de Leonardo Da Vinci

E não vou me esquecer do prazer e das histórias de um dia inteiro andando pelas pequenas ruas – no máximo umas oito -, lojinhas lindas, charmosos hotéis, bistrôs e boulangeries (as irresistíveis padarias francesas) da Île Saint-Louis. Sim...é um ilha, mas ao contrário das demais ilhas do mundo, tem a grande vantagem de estar cercada de Paris por todos os lados.

Não...lá não encontramos nada que pudesse ser vendido com a palavra Paris escrita. E isso foi bom demais! A ilha também não dispõe de estação de metrô, mas fica a dez minutos a pé do Marais e tem uma vista maravilhosa da catedral de Notre-Dame. Saint-Louis é sedutora e apaixonável no primeiro olhar. E no meu caso, a rendição foi instantânea. Entre prédios pequeninos repletos de estúdios de arte e escritórios de arquitetura e design, duas lojas lindas da Pylônes, com os mais incríveis objetos de decoração. Além da incrível l’Epicerie, com condimentos e geléias tão saborosos quanto originais. E o l’Orangerie, que só abre para o jantar e troca de menu todos os dias. Apesar do frio, o sentimento da paixão aqueceu nossa alma e tomamos sorvete de casquinha naquela que é considerada a melhor sorveteria de Paris, o Berthillon.
E precisa legendar?

E tomamos café...e voltamos a caminhar...e chegamos à beira do Sena, sob o vento forte da noite em Paris, e cruzamos a ponte de volta ao hotel. Mas da Île Saint-Louis e de Paris no outono, não vou esquecer. Foi um dia para guardar para sempre. Um dia como hoje, quando relembro em palavras da sensação gostosa que conforta a alma quando, ainda que fugazmente, somos infinitamente felizes.

Gosto de pensar e recordar o que me fez e faz feliz porque são sinais que não pertencem apenas à minha memória, mas principalmente à minha história. Tenho certeza que vocês que me lêem estão pensando nisso agora também.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Aniversário de uma Criativa

Sexta feira passada, dia 20 de março, foi meu aniversário. Eu simplesmente adoro o dia do meu aniversário! Sei que parece um pouco óbvio dizer que gosto desta data, mas sempre tive a impressão que curto este dia mais do que os outros. Comemoro meu aniversário antes durante e depois!

Este ano, as comemorações começaram com uma semana de antecedência, com uma viagem que ganhei de presente do maridão. Fomos para a Fazenda Gamela Eco Resort, um hotel aqui no Rio de Janeiro, que fica entre Friburgo e Teresópolis. Nosso passeio foi incrível! Aproveitei para descansar e soltar todas as bruxas que me assombravam em uma mega tirolesa de 1,2 Km de extensão. Isso significa mais de dois minutos caindo pendurada por uma corda! Liberdade total! Para quem quiser saber mais detalhes desta viagem, confira! Eu contei tudo aqui.

No dia oficial - não poderia ser diferente - eu tinha que comemorar! E com toda esta influência criativa na minha vida, a festa teria que ser em grande estilo. Comecei a planejar o evento e lancei o desafio aqui nos bastidores do Criative-se. Foi uma enxurrada de e-mails para lá e para cá até que conseguimos dividir as tarefas principais. Tia Verônica ficou responsável pelo cardápio, que seria inspirado nos principais quitutes da festa de Natal da nossa família, a play list ficou sob responsabilidade da Roberta e a identidade visual com as designers Katia e Karla.

Começamos pela identidade visual, que deveria ser baseada na minha bonequinha do Criative-se. Eu pensei no que queria para as padronagens e Kátia e Karla finalizaram o convite virtual, os cones e as plaquinhas para a mesa. Ficou tudo a minha cara!


Convite virtual




Cones com Nuts

Também foi preciso escolher uma roupa especial para o evento, e quem seguiu comigo nesta missão foi a Beta, que praticamente escolheu o meu vestido! Porque sozinha, eu certamente não teria coragem de escolher um rosa como aquele. Saímos do trabalho na hora do almoço e em menos de 30 minutos já estávamos encerrando a compra. Quase um milagre!

Para o cardápio eu e minha tia nos dividimos entre mercados e queijarias para comprar todos os ingredientes na véspera. No dia da festa nos encontramos cedo lá em casa para colocar a mão na massa e preparar tudo. É claro que aconteceram alguns imprevistos com o tempo curto e com alguns ingredientes, mas nada que ofuscasse o brilho do resultado final. Nossa mesa estava impecável!


Grissini com parma


Torradinha com pasta de azeitona, mussarela de bufala e manjericão


Gorgonzola com presunto de parma


Antepasto com tomate cereja, azeitona preto, alho e manjericão com pão ciabatta


Tomate cereja com tartare de camarão, cebola e ciboulette


Batatinhas recheadas com queijo chévre e pimenta rosa


Uva Thompson com cream cheese e farofa de pistache




Quiches de tomate seco e alho poró.

Para beber, escolhi servir Kir Royal, uma bebida feita com 9/10 de champagne brut e 1/10 de creme de cassis. Para fazer uma gracinha ainda coloquei uma cereja espetada com um palito decorado em cada taça. Além do Kir, também servimos champagne brut rose, cerveja e refrigerante.





Na hora da festa foi só alegria, muitos amigos queridos, comidinha gostosa, drinks geladinhos e um papinho delicioso a noite inteira... Para completar ganhei um monte de presentes – eu falei que eu amo ganhar presente? Aproveito para agradecer a todos pela presença, pelos presentes lindos e, principalmente, por todo o carinho dedicado a mim neste dia!

Às Criativas, gostaria de agradecer especialmente, não apenas por toda a ajuda na produção da festa, mas pela felicidade de ter conhecido cada uma um pouco mais nos últimos dois meses. Espero que esta união, que veio pelo acaso, se torne a cada dia mais sólida e indissolúvel!



















quarta-feira, 25 de março de 2009

Aventuras gastronômicas - Parte I: Comida Indiana e Chinesa

Outro dia estava revendo as fotos de um dos meus álbuns no Orkut intitulado "aventuras gastronômicas". São fotos de pratos que experimentei e que me trazem boas lembranças. Foram momentos em que apreciei muito a comida, o lugar e as companhias e quero guardar essas recordações pra vida inteira! Assim surgiu a inspiração para o meu post de hoje. Quero falar um pouco sobre o que a experiência gastronômica significa pra mim.

O design tem enorme influência no nosso cotidiano, embora muitas vezes não nos demos conta disso. Por trás de tudo o que a gente usa no dia-a-dia existe um projeto, um desenho. Pensa só: desde que você acorda, passa o dia cercado de objetos que foram projetados por alguém. Primeiro você pega uma caneca pra tomar café. Você a escolheu na prateleira da loja porque gostou do modelo, da cor, da padronagem. O mesmo acontece com relação à cafeteira, à toalha de mesa, à torradeira, à faca da manteiga, à cadeira, aos armários da sua cozinha, aos azulejos e etc. E olha que ainda nem saí da cozinha!

Com relação à comida é a mesma coisa. A posição dos alimentos no prato, a maneira como são cozidos, os temperos, o aroma, as texturas: tudo é uma questão de planejamento e preparação. Existe um passo-a-passo que vai desde a escolha da matéria prima até a louça em que a comida será servida. E o design das embalagens também nos influencia. Quem nunca experimentou um produto novo só por gostar da embalagem? Eu já fiz isso muitas vezes. Já comprei coisas por engano porque a embalagem era tão bonita que nem prestei a atenção no rótulo!

Mas nem sempre valorizei pratos bem montados, coloridos e criativos. Quando criança sempre arrumava um jeitinho de pular as refeições e devorar uma barra de chocolate daquelas bem grandes! Mc Donald´s, Bob´s e Mister Pizza eram meus restaurantes favoritos. Fui uma criança com dificuldade para comer e, por conta disso, tomei muito Biotônico Fontoura. O estranho é que eu adorava Biotônico Fontoura!

O tempo foi passando e aprendi a gostar de alguns alimentos para os quais fazia caretas quando criança, como feijão, cenoura, tomate, brócolis, azeitona e peixe. Apesar de nunca ter tido coragem de provar rabada, dobradinha e buchada de bode, já experimentei javali, capivara, búfalo, avestruz, enguia, tartaruga, baleia, rena e cervo. Ah, e água-viva também! E assim fui deixando alguns preconceitos de lado e passando a gostar de comidas que nem imaginaria um dia experimentar. Tudo sempre acompanhado de pimenta. Adoro comida picante!

E por causa da minha atração por comida apimentada, a minha primeira paixão em termos de comida típica foi a indiana. Conheci a culinária indiana em Nova Iorque, quando estive lá pela primeira vez em 1995. Foi minha amiga Rachel quem me apresentou o Taj Mahal (http://www.tajmahalrestaurant.net/1.html) e os pratos que continuam meus preferidos até hoje: Murg saagwala (pedaços de frango cozidos no molho de espinafre e especiarias) e Murg Tikka Masala (cubos de frango assados no Tandoor com uma rica mistura de tomate, cebola e especiarias). Mais tarde, descobri que existia um restaurante indiano no bairro de Botafogo, no Rio, que frequentei durante muitos anos, mas que hoje em dia não recomendo porque a qualidade caiu muito: o Raajmahal. Há três anos, fui convidada pra um casamento em São Paulo e aproveitei o fim de semana pra conhecer o Tandoor (http://www.tandoor.com.br/), que me foi muito recomendado. Gostei bastante da comida e sonho com um repeteco! Se alguém for ao Tandoor, não deixe de provar as samosas (pequenos pastéis recheados de legumes), os chutneys e os pães paratha e nan. As entradinhas são divinas!

O primeiro indiano a gente nunca esquece. Taj Mahal, 1995. Com meus colegas de trabalho na época: Rachel, Jennifer e Chris.

Repetindo a dose com a Rachel num outro indiano em Nova Iorque três anos mais tarde.

Esse verdinho é o murg saagwala, meu prato favorito no Tandoor em SP, 2006.

Em outras oportunidades de viagens que se seguiram, sempre procurei saber onde ficavam os restaurantes indianos. Acho que cheguei a conhecer pelo menos uns dez lugares diferentes. O que me lembro com mais saudade é o Tandoori Nights (http://www.tandoorinights.com/index1.html), que fica em Arlington nos Estados Unidos. Quem me apresentou esse lugar lindo foi minha irmã Flávia, que mora em Washington DC. Aliás, ela me levou a vários restaurantes interessantíssimos, sobre os quais quero escrever nos próximos posts. Minha irmã é formada pela L´Academie de Cuisine (http://www.lacademie.com/), sempre cozinhou muito bem e adora experimentar pratos novos.





No Tandoori nights com meu pai, minha amiga Mari, minha irmã e meu cunhado. Em Arlinton, Estados Unidos, 2006.

Há uns três anos, cheguei a organizar uma happy hour indiana lá em casa (claro!!!) e fui pra cozinha preparar arroz de açafrão, frango Tikka Masala e frango Korma, usando molhos prontos da marca Shere Khan, que a Flávia mandou dos Estados Unidos. Ela também me deu uma espécie de pão pré-cozido pra ser esquentado direto na boca do fogão, chamado paparis ou pappadum. Tudo comprado na World Market, uma loja maravilhosa que vende produtos do mundo inteiro. Fico babando na loja virtual (http://www. worldmarket.com). Segui também uma receita de pão nan e encomendei os chutneys. Pra finalizar, fiz samosas de frango temperadas com garam masala em pó, que já tinha em casa. O resultado foi bom e os molhos nem pareciam industrializados.

Molhos prontos da marca Shere Khan. Imagem retirada do site da World Market.

Embalagem de paparis que ganhei da minha irmã. O coelho rosa e a criança de olho de vidro dão medo mas o pão é gostoso, eu juro! Segundo a Wikipedia: Os paparis são um acepipe da cozinha indiana. Um papari consiste numa folha fina de massa, firme e seca, feita com uma grande variedade de especiarias picantes. Podem ser servidos frios ou quentes, como aperitivo ou acompanhando pratos fortemente condimentados da culinária da Índia, como o caril. A designação papari tem origem na culinária indo-portuguesa de Goa, Damão e Diu, outrora pertencentes ao Estado Português da Índia. Nas demais regiões da Índia, os paparis são conhecidos por variantes da palavra papadum, tais como papadam, poppadom ou appadum.







Fotos da Happy Hour indiana lá em casa em 2006.

Infelizmente nunca encontrei molhos ou temperos indianos em supermercados ou delicatessens no Rio. Bom, com exceção do famoso curry, é claro. Mas agora tenho esperanças de que, com o sucesso da novela das 8 hs, os brasileiros comecem a se interessar mais pela culinária do país. Ah, já ia esquecendo: no jornal "O Globo" desse final de semana li uma matéria sobre a família que é dona do restaurante Tandoor em SP, mencionado aí em cima. Eles disseram que desde o início da novela, o movimento aumentou 40%. Viva!!! Tomara que continue assim e que os produtos indianos invadam os mercados do Brasil!!!

Dois anos depois do meu début na cozinha indiana, já em 1997, meu pai foi convidado a participar do Congresso Mundial de Petróleo, realizado em Beijing, China. Quando soube que minha mãe iria acompanhá-lo, implorei que me levassem junto. Eu já tinha descoberto que viajar é a melhor coisa do mundo e, apesar de ter abandonado meu diploma do curso de comissária de bordo, sonhava com muitas viagens no meu futuro. O plano era passar duas semanas na China e uma entre Tóquio e Londres, nossa escala na volta. Consegui juntar minhas parcas economias e ganhei a passagem de presente do meu pai. Foi uma viagem inesquecível!

Confesso que a cozinha chinesa me decepcionou por não ser nada parecida com a que conhecemos aqui. Rolinho primavera, yakisoba e banana caramelada? Não vi. Nós almoçávamos em grupo e os pratos eram pré-escolhidos e colocados sobre uma enorme bandeja giratória, onde todos podiam se servir com facilidade. Teve alguns dias em que só consegui comer arroz, legumes e cerveja porque a aparência das comidas era bem estranha. Foi na China que experimentei uma entradinha feita com águas-vivas temperadas com molho de soja. Emagreci cinco quilos no final da viagem. Apesar disso, as cores, formas, texturas e aromas dos pratos me encantavam. Isso sem falar na surpresa que foi descobrir, durante um passeio noturno pela pequena cidade de Qufu, uma feira livre com barracas vendendo besouros, escorpiões e gafanhotos vivos - prontinhos pra entrar na panela! Na visita ao supermercado, vi uma infinidade de biscoitos coloridos com sabor de peixe, alga, cogumelos e raízes. Tão exóticos que tive vontade de levar pra casa só pelo aspecto curioso...

Praça da Paz Celestial em Beijing, China. 1997.

Com meu pai na entrada da Cidade Proibida.

Parte da muralha da China em Badaling.

Refeição servida em Qufu, cidade da China onde nasceu Confúcio. Reparou nesse negócio marrom que parece uma "Nhá benta"? Era duro, pesado e frio. E a tradutora não soube nos dizer do que se tratava... Não deu pra encarar.

Depois dessa viagem passei a prestar mais atenção à culinária típica dos países que visitava. Embora minha condição de estudante universitária ganhando mesada não permitisse muitas extravagâncias, eu sempre separava um dinheirinho pra um jantar um pouco mais caprichado. Esse era e ainda é um dos pontos altos de qualquer viagem. Gosto de pesquisar e escolher pela internet os restaurantes na faixa de preço que me interessam, antes de sair de casa ou do hotel. Também gosto da expectativa e todo aquele ritual de escolher a mesa, a entradinha e a garrafa de vinho ou a cerveja ideal pra curtir um jantar especial com a pessoa querida. Pra mim, refeições significam muito mais do que apenas comida.

Penso que o verdadeiro prazer está em comer algo que se gosta sem pressa, saboreando cada garfada, seja um prato de lagosta ou uma quentinha de feijão preto, farofa, bife e fritas, que adoro! O importante é o prato ser bem-temperado, feito com ingredientes frescos e muito carinho!

Nos próximos posts conto mais sobre minha descoberta de outras cozinhas tão ricas e perfumadas quanto as que citei hoje: mexicana, chilena, peruana, francesa, mediterrânea, etíope, malaia, indonésia, tibetana, escandinava e patagônica. Compartilho aqui duas receitas indianas que pesquisei na Internet. Se alguém experimentar, me conta se gostou, tá? Até a próxima semana!

Ingredientes:
300 g batatas cortadas em cubinhos
1 copo de ervilhas congeladas (não usar de lata)
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de óleo vegetal
2 colheres de sopa de gengibre ralado
1 cebola média, picada bem fina
Semente de cominho
Semente de coentro Semente de erva - doce (funcho)
Curcuma (açafrão de terra)
Sal a gosto
Pimenta - do - reino a gosto
Suco de 1 limão
1 ramo de coentro picado
Óleo para fritar

Modo de Preparo:
Coloque numa frigideira óleo vegetal e manteiga e deixe esquentar um pouco. Adicione gengibre, cebola, sementes de coentro, cominho, erva - doce e curcuma. Mexa bem para não queimar. Quando sair o perfume, adicione as batatas e deixe cozinhar com tampa fechada no fogo baixo. Vá mexendo ocasionalmente para não queimar as batatas e quando estiverem cozidas, junte as ervilhas. Tempere com sal e pimenta a gosto. Retire do fogo e adicione suco de limão e coentro mexendo para misturar bem e deixe esfriar. Use massa de pastel para rechear. Frite em óleo quente e sirva quente.


Receita enviada por Janete Yeh para o site "Tudo Gostoso" (http://tudogostoso.uol.com.br/receita/16225-samosa-de-legumes.html)


Ingredientes:
250g de farinha de trigo integral
100g de manteiga derretida
água morna para dar o ponto
1 pitada de sal

Modo de preparo:
Misture a farinha e o sal e vá juntando água morna para dar o ponto de rosca. Sove a massa bastante, até que se torne não apenas firme, mas também lisa. Deixe descansar por uma hora.
Forme bolinhas de cerca de 5 cm de diâmetro e salpique farinha na mesa e no rolo de abrir. Abra com o rolo cada bolinha, até que forme um círculo de menor espessura. Espalhe a manteiga e refaça as bolinhas, enrolando-as. Reabra com o rolo, formando triângulos. Coloque em uma frigideira de fundo grosso, no fogo, e deixe esquentar sem gordura. Quando estiver quente, vá colocando os triângulos, lembrando que eles são mais lentos de cozer, mas prestando atenção para que não queimem. Espalhe um pouco de manteiga num dos lados de cada triângulo. Quando inflar, vire e passe do lado oposto. O paratha estará pronto quando ambos os lados tiverem dourado. Sirva bem quente, com chutneys, iogurte, legumes ou com manteiga perfumada.


Receita extraída do Livro Arqueologias Culinárias da Índia de Fernanda de Camargo-Moro






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