sexta-feira, 31 de julho de 2009
Complicadas, perfeitinhas....e até invisíveis!
Comentando sobre esse papo com uma amiga, que tem apenas 35 anos - bom, como tenho 51, qualquer mulher com 35 anos para mim é garota - ela revelou que já sentia essa transformação, percebendo que, ao contrário do que constatava antes, já não era mais foco de tantos olhares desejosos ou apenas estimulantes de sua auto-estima.
Bom...gostar de ser gostada é, sem dúvida, uma característica da psiquê humana. Gostada pelo que é, pelo que faz, pelo que constrói, pelo que soma, pelo que inventa mas transforma em real. Mentiria se dissesse que, ao ouvir um comentário elogioso fortuito - e olhe que eles realmente são raros, pelo menos na rua - não ligaria. Escuto, sorrio para mim mesmo, dou aquela respiradinha básica da pequena dose de narcótico na alma e...pronto. Nada mais. Porque realmente, pelo menos para mim, não é fundamental. Não é o que outro diz para mim que altera o meu norte, que me faz mais ou menos feliz, mas sim o que eu faço com o que o outro diz para mim. Isso quer dizer: sou agente do resultado desse comentário e fazê-lo fundamental à minha caminhada na direção do "ser feliz" é também uma escolha minha. O que não quer dizer que é a melhor escolha.
Confuso? Pode ser que sim. Mas ao pensar nessa conversa e no tema em si tentei fazer um "revival" da forma como senti a chegada da maturidade. E concluí que não senti, ou não percebi, ou não dei importância. Talvez só quando reflito e percebo as coisas boas. Porque as não tão boas assim, expressas nos efeitos da gravidade no meu corpo, nas marcas e rugas que já trago no rosto, até tento enfrentar com alguma galhardia, entre pesos na academia, corridas na esteira e alguns cremes. Mas, muito menos para a ideia de aparentar menos idade ou conservar-me passível dos olhares masculinos, e sim porque tenho comigo mesmo uma relação de gostar e de franqueza. Pode ser uma viagem vaidosa, mas posso afirmar que, fora os momentos mais tristes, em que mergulho e deixo-me submergir à força das dificuldades, em todos os outros olho-me com o olhar do afeto racional e da admiração equilibrada. Sou, somos sempre os nossos algozes e guerreiros. Quando o algoz se impõe, só vemos o lado Darth Vader, a área mais sombria, o perder-se na linha do tempo, o elo perdido dos sonhos que não se realizaram. Mas é ao lado do guerreiro que carregamos os tijolos da construção do "somos mais", muito mais do que o que pode nos trazer a observação mais quente ou maliciosa do cara que cruza o meu caminho.
Essa semana comentei num post da Lidiane ( Bicha Fêmea) alguma coisa sobre isso. Como disse a ela e repito aqui, quero a vida e o mundo real. Sou muito mais as minhas rugas e nenhuma olhada mais sensual nas ruas do que virar uma "Real Doll" patética. Sim, os terapeutas que me perdoem, mas gosto muito do elogio generoso que me ofereço. Em frente ao espelho, inclusive. Claro que gosto do carinho sincero das observações elogiosas do meu marido. Dos comentários fraternos dos amigos e até mesmo daquela frase que, infalivelmente, todos escutaremos alguma dia: "Nossa, você está muito bem para sua idade!!!" Mas é o meu, o nosso olhar que faz acusar e defender; negar e perdoar; machucar e sarar.
Sei que nem sempre é tão fácil assim. Prá muita gente é mais difícil do que para mim. Mas nem estaríamos falando sobre tudo isso se não fôssemos o que somos. Falo de nós, mulheres, embora tenha leitores homens dos quais adoro a reflexão e os comentários ( viu, Beto, João, João Henrique, Carlos e outros..?????). Somos definitivamente - salvo exceções, que devem existir, embora não conheça nenhuma - complicadas e perfeitinhas. Ouvi isso ontem, novamente, em uma afirmação do José Roberto Guimarães, técnico da seleção brasileira de vôlei feminino, que em entrevista ao Jornal Nacional e comentando sobre o fato do quanto foi obrigado a tentar entender a alma feminina para poder comandar um time de mulheres e fazê-lo campeão, disse que o detalhismo e a complexidade feminina foram os aspectos mais difíceis de seu aprendizado. Bom...se até prá gente é difícil eventualmente entender, imagine para os homens. Quem sabe isso até explique, além da reação hormonal vulcânica que mulheres costumam disparar nos homens - até as que estão depois dos 50 -, porque eles são tão voyeurs. Olhar é mais fácil que entender.
Mas isso é assunto para um outro post. Divirtam-se! Até sexta!!
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Arrumando a casa
Começamos a arrumação junto com mudança a pouco mais de uma semana em alguns momentos temos a impressão que não acabaremos nunca! O meu quarto e a cozinha já estão completamente arrumados, no escritório e no quarto das crianças ainda falta muita coisa e a lavanderia ainda é um completo caos!
O primeiro passo na arrumação, foi limpar os armários por dentro e forrá-los, para isso fui até uma papelaria comprar o material necessário. Escolhi papel glacê nas cores preta para o meu quarto e branca para o quarto das crianças e para dar acabamento nas prateleiras, comprei barrinhas adesivas decoradas – daquelas usadas para decapage – e fita dupla face para fixar. Além disso, ainda precisei separar uma tesoura, estilete, régua de metal e uma base para corte – para não arranhar a casa nova-. Medi as gavetas e as prateleiras por dentro, marquei e cortei o papel glacê com o estilete e a régua de metal, depois foi só fixar tudo com a dupla face e dar o acabamento com as barrinhas adesivas decoradas. Super fácil e bem baratinho! É uma boa opção para dar uma graça no interior do armário e ainda protege a sua roupa.
Depois desta primeira etapa de limpeza e forração, era hora de começar a abrir as malas. Fui abrindo mala por mala e fazendo uma triagem por tipo de roupa, tudo o que não foi usado nos últimos 2 anos foi direto para doação sem dó nem piedade. Separei as blusas de manga comprida, as de manga curta, camisolas, meias, calcinhas, sutiãs, calças, vestidos e blusas de inverno, pois cada um ganharia um cantinho especial. Comprei cabides novos, todos de acrílico transparente, acho que faz toda a diferença olhar para o cabideiro e ver tudo igualzinho pendurado, também tive que providenciar cabides de saia, com presilhas e cabides infantis para o armário de vestidos que é mais estreito, mas todos com o mesmo padrão em acrílico transparente.
Comecei a arrumação pelas roupas de cabide. Jaquetas, camisas de tecido, batas e demais roupas que não ficam bem dobradas nas gavetas ganharam um cabide! Separei as roupas que só voltarão a caber em mim depois do parto, e organizei no canto do armário, que é um lugar mais difícil de acessar. As outras roupas, selecionei por cor e pendurei tentando arrumar os cabides com mesma distância entre um e outro. Ficou até parecendo que só tinha roupa nova no armário!
Depois organizei as gavetas, uma para cada tipo de roupa. As primeiras separei para as roupas íntimas, que trocamos a toda hora, sendo uma para calcinhas, uma para meias e uma mais larga para os sutiãs de bojo, que não podem ser amassados – se você ainda não sabe, os bojos não podem ser amassados ou mesmo invertidos, isso estraga a estrutura da peça e diminui sua vida últil! – As roupas de dormir também ganharam uma gaveta exclusiva, assim como as camisas de manga curta, as camisas de manga longa e os shortinhos e saias de verão. Para não ter bagunça, tudo ficou bem separadinho e organizado! Todas as roupas foram dobradas de mesma forma e tamanho e estão arrumadas dentro da gaveta por cor, no fundo sempre aquilo que tem pouco uso!
No lado mais estreito do armário, coloquei todos os vestidos, também organizados por cor e tudo em cabide infantil para não ficar de lado. Os vestidos muito compridos e os tomara-que-caia, ficaram dobrados e pendurados na alça dos cabides. Deste lado do armários eu ainda tinha um calceiro e uma sapateira, as poucas calças que me restaram couberam muito bem ali! Na sapateira, coloquei apenas os pares mais usados atualmente, o resto foi para outra sapateira na área de serviço, depois de separar todos os que não eram usados para a doação, é claro!
O último detalhe de arrumação para o meu armário, foi separar todas as blusas de inverno pesado, que não conseguimos usar aqui no Rio e colocar tudo dobradinho na prateleira que tenho em cima dos cabides. Isso desafogou as minhas prateleiras e quando precisar viajar é só pegar um banquinho para separar o que vai para a mala! Esta dica vale apenas para quem mora em lugares menos frios.
Ainda aproveitei umas cestinhas existentes nas portas para colocar os perfumes e hidratantes de uso diário, que devem estar sempre à mão. Ficou ótimo!
As roupas de cama ficaram todas arrumadinhas em uma porta do armário em que temos apenas prateleiras, já as roupas de banho foram organizadas dentro dos banheiros, nas portas de armários que temos embaixo da pia.
Na cozinha, tudo foi pensado por mim desde o início e o ponto de partida era ter tudo a mão sem estar nada espalhado pela pia. Lancei mão então dos aramados organizadores para deixar tudo no seu devido lugar. O escorredor de pratos, fica bem em cima da pia, em um armário de portas que abrem para cima com o acabamento em alumínio e vidro preto. Para os condimentos e demais itens necessários para quem cozinha prateleiras aramadas que correm para termos acesso a tudo. A lixeira também está escondida dentro de uma porta de armário e fica presa um trilho para maior mobilidade.
Para guardar as panelas, um gavetão aramado, por sinal a idéia de usar este tipo de gavetas em cozinhas é a melhor dos últimos tempos! Conseguimos dar uma melhor organização, possibilita empilhar as panelas com facilidade. As peças menos usas foram para os armários mais altos e até que a dispensa fique pronta, estamos reservando uma porta para os alimentos.
Como o armário tem vários compartimentos, cada coisa tem seu lugar separadinho: copos, xícaras, coisas de festa, café da manhã e assim por diante.
Nossa cozinha sempre teve seus mascotes, um deles é o casal de bonequinhos do nosso bolo de casamento e outro, uma galinha metálica que eu adoro! Agora temos mais um! Um pingüim adesivo para a geladeira, paixão a primeira vista!
O escritório e a lavanderia são meus próximos desafios, olhem a situação completamente caótica que temos hoje.
No escritório, vou lançar mão de algumas caixas para organizar minhas coisas. Comprei duas especialmente para o meu material de scrap e outras plásticas bem grandes para o material de bolo. Os armários novos que mandei fazer com o marceneiro, devem ficar pronto dentro de umas duas ou três semanas e só depois disso vou conseguir dar uma arrumação definitiva para estes dois cantinhos e claro poder mostar tudo em detalhes para vocês!
Você também curte arrumar e organizar as suas coisas? Tem dicas espertas de como guardar as suas tralhas? Corre aqui e me conta, estou precisando muito de boas dicas para arrumar a minha casa! Tenho me inspirado muito no blog arrumadíssimo, lá a Isabela dá mil dicas de como manter a casa sempre linda e arrumada, vale a pena passar lá para conhecer!
Espero conseguir colocar todas as dicas em pratica para mostrar tudo aqui na semana que vem!
segunda-feira, 27 de julho de 2009
A chegada de um bebê em nossas vidas
Todo mundo aqui sabe que eu me tornei Tia!!! Arthur chegou lindo, fofo e gostoso no dia 06 de Julho. Todo mundo diz, sabe e constata que a chegada de um bebê muda completamente as nossas vidas. E Arthur mudou as nossas. Toda a família está feliz e radiante!!
Há tempos queria escrever um relato de Dinda, sim, porque além de Tia, sou Dinda!! ;))
Eu fui a primeira a saber da chegada do Arthur. Num sábado de manhã o celular recebia uma mensagem, o número identificado era da minha irmã e a mensagem falava mais ou menos assim:
“Dinda, eu estou chegando daqui a 9 meses. Liga pra mamãe que ela tá nervosa. Beijos, Sofia ou Arthur.”
Nos primeiros segundos eu não entendi bem… minha irmã me chamando de dinda, minha mãe tá nervosa por que? Mas quando vi Sofia ou Arthur… a ficha caiu!!! Alí mesmo já comecei a chorar e liguei correndo pra ela. Foi alegria e amor no primeiro instante! Ela tinha acabado de fazer um teste de farmácia, o marido ainda não sabia, ninguém sabia! Ela tinha decidido só contar pra todos depois do exame de sangue e só contaria pros nossos pais pessoalmente, que seria no domingo, num almoço. Pro Fabio ela fez uma surpresa, aproveitando que ele estava no futebol ela foi ao shopping, comprou um sapatinho, colocou numa caixa de presente e deixou em cima da cama. quando ele viu nem ele entendeu bem…
Nesse sábado comemorávamos nossos aniversários, eu sou do dia 30 de outubro, ela do dia 13 e como na maioria dos anos juntamos os amigos pra celebrar. Alí só Flávia, Fabio, eu, Marido e Xande, o tio, sabíamos que Arthur estava chegando e a comemoração teve um gostinho especial nesse aniversário de 2008.
A partir daí foram muitas alegrias durante a gravidez. Flávia foi uma gravida tranquila, sem frescuras, nem manhas. Veio o blog, onde ela defendeu o parto normal e humanizado, onde chegaram amigos, alguns vários aqui do Criative-se. E realmente ele já tinha mudado nossas vidas. Primeiro bebê chegando na família Pereira Bernardo. Imagina a babação!!
Eu tentei estar presente em tudo na gravidez. Tentamos por várias vezes fazer a esperada sessão de fotos de gestante, mas cada fim de semana era uma coisa e ela acabou não rolando como gostaríamos.
Mas uma foto marcou bem essa fase e acho que valeu por todas que não conseguimos tirar. Foi tirada 1 semana antes do Arthur chegar e mostrou toda a plenitude e exuberância da gravidez dele, embora seja uma silhueta.
Essa última semana foi de expectativas. Arthur poderia chegar a qualquer momento. Eu estava vindo trabalhar com a câmera todos os dias porque o combinado era eu entrar na sala de parto junto com o pai e registrar tudo. O médico já tinha liberado!! A semana passou e nada… veio o fim de semana. Almoçamos juntos no domingo, passeamos um pouco no shopping e mais um dia passou sem que Arthur resolvesse sair de seu ofurô, como a Flávia chamava sua barriga!
Às 5 da manhã de segunda o telefone toca… já começaram as contrações e ela estava se preparando pra ir à maternidade. Tudo era programado pra que fosse parto normal, ao menos na cabeça da Flávia. Ela esperava e desejava por aquilo. Esperei mais algumas coordenadas até acordar definitivamente, porque não consegui dormir mais depois daquela ligação. Comecei a me arrumar, busquei meu pai e irmão e fomos pra maternidade. Flavia foi ligando e passando as novidades… não tinha dilatação e o bebê não tava encaixado, ou seja, mesmo com contraçõs não tinha como ser normal. Ela estava nervosa, tensa e frustrada. Eu, tentando chegar!! O trânsito não ajudou. O médico não queria esperar… eu corria, xingava os motoristas lerdos de dontro do carro… queria voar! Cheguei na porta da maternidade, larguei o carro de qq jeito no meio da rua, pedi pro meu pai passar pro volante e corri pra dentro do hospital, claro, levando a câmera. Me identifiquei, corri, esbaforida… cheguei no centro cirúrgico, me identifiquei. A enferneira perguntou:
“É o parto do Dr. Mário?”
Sim, era! ela entrou pra falar com ele que eu estaria alí… Quando volta ela:
“Me dá a câmera que tá nascendo!”
Coloquei no automático e dei pra ela. Menos de 1 minuto depois ouço o chorinho do Arthur. Que emoção!! E dalí fiquei só acompanhando os chorinhos e esperando que ele passasse pela porta onde eu esperava. Foi uma frustração enorme saber que 5 minutos fariam a diferença pra que eu presenciasse e registrasse tudo aquilo, mas apesar disso saber que ele já estava pertinho de nós deixou isso pra segundo plano!! Logo veio a enfermeira, me deu a câmera e eu desci pra ver ele chegando no berçario.
E lá estava meu “cabeludinho” no colo do Fábio, todo bobo e nós, tios e avós babando curiosos pra conhecer nosso reizinho. Eu óbvio fiquei na maternidade o resto do dia e tentei ir à forra nas fotos! ;)
Agora é só alegria nos lar dos Bernardo Barreto. Arthur mudou a vida de todos nós. Tio Xande é um babão de primeira, tá lá todo dia marcando ponto. Vó Helô é coruuuja e parceirona da mãe de primeira viagem, presente em todos os momentos e ajudando com a experiência e paciência de quem criou e educou muito bem 3 filhos. Vô Betinho é fanfarrão! Vai estragar o menino ensinando o que não deve, bem típico de avô. Eu, tia-dinda coruja babona e qualquer outro adjetivo que me imponham, fico incumbida de registrar a vida desse serzinho que trouxe tanta alegria às nossas vidas. Tia Ianne vem a reboque, babona também, só perde pra mim! Tá sempre lá presente.
No colinho da Vó Helô… muito amor!
A família tá linda unida desse jeito e essa já foi uma bonita missão de Arthur, a primeira de muitas!!
Então, deliciem-se com as fotos do menino cabeludinho, que se tá com a barriga cheia fica bonzinho, bonzinho.
Arthur, o amor da Dinda por você, tão pequenino, já é grandão!! Você com a sua calma, fragilidade, doçura, cabeleira vasta, mãozinhas ativas que se descobrem mais a cada dia, seu biquinho gostoso, bochecha fofa, cheirinho de bebê… já arrasou o coração da Dinda, que só vai sentir algo igual quando for os filhos dela e os sobrinhos vindos do Xande! ;)
Que a sua vida seja de alegrias, descobertas agradáveis, pessoas boas pelo caminho, muito amor e muita saúde. Você já é o orgulho dos seus pais, dos tios e avós… A Dinda te ama!! E vai estar presente em todos os momentos da sua vida!! Como expectadora, como tia coruja, como dinda participativa metida a fotógrafa, registrando toda a sua vida… acostume-se com os flashs!
Podem chamar de babona, coruja… eu aceito todos que vierem… porque tenho motivos, né?? Fala a verdade!!!
Boa semana pra você e até segunda! ;)
sexta-feira, 24 de julho de 2009
A energia envolvente dos musicais e de Hairspray
Lembro da sala das partituras, onde íamos com ele para encontrar aquelas folhas brancas pautadas, repletas de bemóis, sustenidos, hastes e colchetes escritos com caneta de pena. Não...nunca consegui entender muito tudo aquilo e nem mesmo fiz da música um ofício. Aliás, nenhum neto fez, mas o prazer daquela experiência e do contato com a expressão da emoção através da música jamais abandonei.
E foi com esse espírito que fui, domingo passado, assistir ao musical Hairspray, que estreou no Rio, mas que vai excursionar por várias capitais brasileiras. Se puderem ir, não deixem de fazê-lo. É um espetáculo imperdível e que equilibra de forma harmônica o padrão americano de musicais - por força de contrato, a versão brasileira mantém os vertíces principais do musical da Broadway - com a picardia característica do humor tupiniquim. Com direção de Miguel Falabella, responsável também pela versão de todas as canções, o musical ganha uma tradução mais escrachada, com letras e interpretações que carregam não só a assinatura já conhecida do diretor - algo que passeia entre o estilo barraqueiro do programa "Toma Lá, Da Cá" e o humor caricato do extinto Sai de Baixo - mas com um estilo que tem tudo a ver com a maneira brasileira de fazer comédia, ou seja, sempre com piadas e pequenos toques que trazem sexo e picardia ao que quer que se diga.
Para quem tem na cabeça a última versão para o cinema de Hairspray, de 2007, com John Travolta no papel de Edna, a mãe da gordinha adolescente Tracy Turnblad, que tem o sonho de ser a grande estrela do programa de TV The Corny Collins Show, vale a dica: o musical brasileiro é um pouco diferente, até porque segue o padrão estético do espetáculo teatral americano. A versão para o cinema - na verdade, a segunda, já que a primeira é de 1988, com direção de John Waters - tem a personagem de Tracy como protagonista, mas dividindo todos os louros com a Edna de John Travolta, que deu ao papel um tom sedutor e malemolente bem diferente do que Edson Celulari emprega na versão teatral brasileira.
O musical em cartaz no Teatro Oi Casa Grande é intenso, com duas horas e meia de música e dança apresentados por um elenco afinadíssimo. As coreografias são feitas à perfeição, com todos os atores principais e elenco de apoio intensamente ensaiados. As músicas de Falabella, ao contrário das primeiras críticas que li, mantém o ritmo do espetáculo, traduzindo a história de personagens que tem como pano de fundo a cidade de Baltimore, nos Estados Unidos, nos anos 60, quando temas como segregação racial, guetos de negros, mocinhas virginais e muito laquê no cabelo eram sacudidos sob o som de um rock and roll que faria o mundo tremer a partir de então.
Edson Celulari está muito bem como a mãe avantajada e recatada de gordinha Tracy. Não tem notoriamente o delicioso remexer dos quadris de Travolta e nem faz uma interpretação afeminada, dando um toque muito pessoal e interessante à personagem. Arlete Salles, que intepreta a mãe da antagonista de Tracy, Amber, a jovem loura, linda e de pouco caráter, não compromete o espetáculo, embora realmente carregue no tom, sendo inevitável compará-la com as interpretações que fez e faz nos projetos Falabella, Sai de Baixo e Toma Lá, Dá Cá. Danielle Winnits como a Amber, personagem que tem os 18 anos que ela não tem há muito tempo, esganiça a voz para buscar uma ingenuidade adolescente. Mas, ao contrário do que já tinho lido a respeito, não compromete o musical, até porque os pequenos equívocos e falhas - que são poucos, diga-se - deixam de ter importância quando em cena está aquela que é a grande razão do espetáculo: a pouco conhecida, mas fantástica Simone Gutierrez.
A Tracy de Simone arrebata em todos as cenas, sendo impossível parar de olhá-la, ainda que no palco com os 31 atores e bailarinos que compõem o musical. A atriz, de 32 anos e com uma carreira focada em teatro, canta e dança com incrível habilidade e talento. Gordinha e baixinha por natureza - Simone tem um metro e meio - , ela engordou mais 15 quilos para fazer a personagem, mantendo, contudo, uma agilidade e um gás inesgotável em todas as cenas. É sutil e graciosa; dócil e guerreira; meiga e intensa. E ainda conquista e beija o galãzinho de Malhação, Jonatas Faro, que faz o bonitão Link de forma bem equilibrada e atraente.
O grande elenco de atores e bailarinos negros enriquece ainda mais o musical. Destaque mais que especial e merecido para Bené Monteiro, que fez um Seaweed apaixonante, dançando e cantando divinamente. E também para as três cantoras que formam o grupo As Dinamites, Corina Sabbas, Maria Bia Martins e Karin Hills, essa última vinda do extinto grupo Rouge, montado em um programa do SBT. Lembram??? Ela sustenta um solo à capela, com o imenso e lotado Oi Casa Grande em silêncio, para depois explodir em aplausos super merecidos.
Enfim, como disse acima, imperdível e mais uma prova de que o ressurgir do teatro musical brasileiro - especialmente nos últimos oito anos - tem sido um estímulo cada vez maior para que atores e atrizes jovens invistam em sua preparação musical e corporal, fazendo surgir talentos como o de Simone Gutierrez. Que Miguel Falabella continue acreditando e investindo em musicais; que a grande escola também surgida pelas mágicas mãos de Charles Moeller e Claudio Botelho, talvez hoje os mais competentes empreendedores do musical brasileiro, se amplie e fortaleça. E que as crianças e jovens frequentem os teatros, fazendo surgir mais uma geração que tem a música também como expressão de sua emoção.
No dia em que vi Hairspray, algumas crianças acompanhavam o espetáculo na platéia com prazer e alegria. Me vi também retratada ali, criança pequena ainda, assistindo My Fair Lady no Teatro João Caetano, com minha mãe e irmã, sentadinha na poltrona, vestida de twinset vermelho e com uma caixinha de confeito na mão. Tudo começou por ali também e certamente essa minha primeira incursão no terreno da crítica teatral aqui no Criative-se é resultado disso.
Não deixem de conferir! Beijo grande! Até sexta!
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Os últimos detalhes depois da mudança!
Claro que ainda faltam alguns últimos detalhes a serem ajustados, mas a casa já está linda e super arrumada – apesar de ainda sem móveis, a previsão é que dentro de um mês pelo menos o sofá e o painel já tenham chegado.
Neste momento estamos curtindo esta coisa boa da mudança, de colocar lençóis novos na cama, enfeitar o banheiro com um jogo de toalhas estalando que foi guardado especialmente para este momento e principalmente arrumar tudo! Por sinal a arrumação dos armários é um tema que será um post em breve.
Bem, estamos em casa e muito felizes por conta disso! Agora vou mostrar para vocês alguns cantinhos que já estão completamente prontos.
Vocês ainda não tinham visto os banheiros completos, como não tínhamos os espelhos colocados, as fotos sempre foram de apenas alguns ângulos, mostrando só os detalhes. Hoje com tudo no seu lugar dá para ter uma idéia melhor do todo.
A porta da sala é novidade por aqui, ela já está no lugar a cerca de duas semanas, mas estava faltando o puxador. Agora ela já está aqui linda e perfeitamente como imaginei! Integrando ambientes, a casa cresce e fica parecendo muito maior! Esta porta se tornou meu xodó!
O charme da cozinha, na minha opinião, é dado pela teca, que é um tipo de acabamento composto por vários pedacinhos de madeira maciça. Acho linda e bem leve! Usei no passa pratos e na porta do banheiro canadense (suíte das crianças).
No quarto, não pude ousar muito, por contada decisão de aproveitar os armários existentes, o layout ficou sem opção. Para dar uma bossa no quarto, coloquei luminárias pendulares no lugar do tradicional abajur e no lugar do criado mudo, pequenas prateleiras engastadas na lateral do armário.
Esta obra, mais do que qualquer outra que já fiz, vai deixar saudade... Planejar e montar a nossa casa tem um gostinho especial! Espero que tenham gostado do resultado! Qualquer dúvida é só perguntar, por aqui a consultoria é de graça!


