segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Tórrido e delicioso verão
Acho que minha mãe e meu pai jamais pensaram nisso, mas sempre penso que o meu nome tem a ver com verão. E talvez eles nem tenham programado assim, mas não pode ter sido à toa que eu nasci num dia tórrido de janeiro. E crianças que nascem nesse mês, especialmente os que nascem na região ao sul do Equador e que, portanto, conhecem os verões de janeiro, aprendem desde cedo a estabelecer relações claras com o período onde o sol impõe seu monárquico governo. Ou amam, e dão loas de vida longa ao rei, ou odeiam, e aí nada mais lhes resta se não sonhar com a inversão da calota polar e com a vã esperança de que um dia, ao acordar e abrir a janela, se veja de frente com a nevasca.
Fora isso é calor na cabeça, sol a pino, Rio 40 graus, purgatório da beleza e do caos. Há quinze dias, a cidade onde vivo está sob o estado da graça do astro rei. Não chove, o céu é de um azul tão infitivo quanto intenso, os dias são profundamente longos, só escurece às oito horas da noite, não há nuvens no céu ( ontem, até que apareceram algumas), as praias, repletas, refletem mais do que nunca essa diversidade intensa de cor, credo, estilo e padrão social que caracteriza a cidade do Rio de Janeiro.
E eu gosto. Ah...como eu gosto. E como boa carioca, passo algumas horas do meu dia falando ou reclamando do calor. Sabe que esses temas unem as pessoas, não é? É sempre um bom motivo para que os vizinhos mal-humorados se sintam obrigados a falar com você, até porque é quase impossível resistir aos 15 segundos de sucursal de vulcão entre o meu andar e a portaria. Nessas horas, a vontade de dividir é maior do que a cara feia habitual de alguns dos que moram no meu prédio. É um tal de "calor hoje, hem?", ou "nossa, quando é que vai chover nessa terra", ou " minha conta de luz esse mês vai bater recorde".
Claro que gostar de verão e andar de carro é mais fácil. Carlos, certamente, sofre muito mais. Anda de van, quase sempre sem ar condicionado, e onde a troca de fluidos corporais produzidos pelo suor é inevitável. Como ele mesmo diz, carioca está sempre no limiar entre a simpatia extrema e a falta de educação titânica. Portanto, se está calor é só tirar a camisa e suar colado no braço do outro.
Mas, ainda assim, amo o verão da Verônica, o sol da aurora e do ocaso, o passeio na orla no fim de tarde, o avermelhado intenso e único daquela incrível e mágica bola de fogo a mergulhar no mar. Há algo de mágico nesses momentos, tão encantado que é capaz de nos fazer esquecer da sensação de maçarico que nos toma, especialmente próximo ao meio-dia. Já ouço daqui o som das cigarras e isso, sei lá porquê, me foi ensinado desde criança: vem dia quente e ensolarado por aí. E que me perdoem os que preferem o frio e que sofrem no calor. Sou solidária a todos, mas preciso viver a estação que ganhei de presente num dia 2 de janeiro qualquer.
Ótima semana! Sol a postos! Beijos
PS: Duas horas depois que acabo de escrever.....ih, caramba, sequei o sol. O dia está nublado!!!
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Discutindo infelidade, monogamia e afins
A pergunta é: ainda existe homem fiel? Melhor ampliar a discussão: existe mulher fiel? Se a pergunta for para mim mesmo, digo que sim. Conheço quem o seja, embora nunca conheçamos ninguém de forma absoluta, da mesma forma que ninguém é de alguma forma para sempre. Mas, sim: conheço quem o seja e quem pregue a monogamia em relações estáveis. Desejos, olhares, eventuais sonhos estão na natureza do instinto humano e, se forem incorporados à discussão da fidelidade, talvez nos obriguem a reduzir ainda mais o número já pequeno dos que se mantém fiéis. Realmente não acho que a relação monogâmica defendida e consciente nos obrigue a prescindir de uma certa liberdade criativa em ver, admirar com prazer o belo ou o sedutor que nos cruze à frente.
Que o código da fidelidade nas relações comprometidas é uma escolha, não há dúvida alguma. Não há nada - ao meu olhar - que defina esse comportamento como uma obrigatoriedade cívil, religiosa ou em respeito à convenção. Mas quando eu escuto homens amigos dizendo que já não conhecem mais nenhum homem fiel, e isso vale para casamento e namoros, sinto que o caminho do novo desenho das relações afetivas se agiganta, impondo a compreensão coletiva de que homens e mulheres estão efetivamente buscando vertentes alternativas na direção de relações abertas e consentidas.
Acho mais honesto assim o ser. Afinal, o que estabelece o princípio da relação monogâmica é o combinado entre as partes. Se as duas partes combinam que assim não o será, não há o que discutir ou conflitar. Se as duas partes combinam que assim será, mas preferem a via alternativa do fingir que não veem, também não há o que discutir ou conflitar. Me incomoda mais quando o código está estabelecido, uma das partes a ele se dedica com esforço e cuidado, e a outra parte burla, escamoteia, deliberada e unilateralmente rompe com o que foi acordado. Porque tudo isso também é um acordo e não precisa estar descrito em papel para assim o ser.
Sim, está na ancestralidade masculina a posição de macho reprodutor, líder do bando, cuja explosão testosterônica impõe uma força única e, tantas vezes, incontrolável. Homens têm essa natureza canina - e isso não é uma ofensa e nem uma brincadeira com os cachorros - pois necessitam marcar território, mostrar que, ao contrário das mulheres, têm um caminho cerebral bastante curto entre o olhar e o desejo. A raiz da busca por formas eficientes de controlar a natalidade está justamente no desejo das mulheres em viver o desejo sexual de forma livre, tal qual os homens, e sem correr o risco de uma gravidez fora de hora ou com o parceiro inadequado.
Também não há como negar a verdade da expressão: "Não existe homem infiel se não houver uma mulher disposta a se relacionar com homens comprometidos". Mas será que hoje as mulheres já veem tudo isso da mesma forma como viam no passado? O avanço das mulheres dentro da estrutura social, no mercado de trabalho, o desenho de novas familias completamente matriarcais trouxe também essse novo perfil e comportamento. Que está expresso não apenas no rompimento com a tradição da monogamia em suas relações, como também no recato com que lidavam com seu desejo sexual.
Sim, conheço muitas mulheres em casamentos formalmente estabelecidos, com marido, filhos, casa e afins, e que têm relações eventuais com outros homens. A justificativa está cada vez mais masculina. E vai desde "a relação sexual com meu marido é ruim" até "mas isso não impõe riscos ao meu casamento; só estou me divertindo".
Regina Navarro Lins, sexóloga a quem respeito e admiro, embora tantas vezes ainda me surpreenda com suas conclusões epidemiológicas, já diz faz tempo: estamos diante do surgimento de um novo desenho de sociedade e a monogamia não será mais o elo a ser defendido. Pessoalmente penso que o caminho talvez seja esse, mas nesse caso só falta combinar, não é?
Beijo grande. Sol e céu azul prá todo mundo!!!
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Porque o Criative-se é especial também!
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| Nicole - reparem a logo antiga... SET/09 |
Uma das peças criadas pro Projeto:
Links:
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Novidades no ar do Criative-se
Voltamos! E aqui, em 2011, queremos fazer diferente!
Vamos mudar o visual, trazendo uma nova proposta gráfica. Talvez sem fotos e um perfil com os objetivos a serem alcançados por cada uma para o ano. Que tal? Convidados, que venham muitos!!! Homens escrevendo por aqui, acho que vale uma nova visão nesse universo feminino do Criative-se.
Bem essas são apenas as minhas sugestões. O que vocês acham? O que precisamos mudar, como deve ser a nossa nova cara, as sandalinhas saem, com o quê deveríamos substituí-las? Estamos em produção, a construção de uma nova identidade. Gostaríamos de ouvir a sua opinião.
Da minha parte, quero falar de dicas, experimentações, sites interessantes, foto da semana, curiosidades da internet e muito mais. Aguardo sugestões!!!
Foto da semana
Pode ir armando o coreto e preparando o feijão preto....estamos voltando!
E férias têm disso. Nem sempre são curtidas em horas intermináveis de aventuras e novidades. Muitas vezes só é preciso parar, respirar longamente e observar. Parados, inevitavelmente vemos a vida de outra forma, de outro ângulo e embora possamos concluir a mesma coisa, o caminho traçado sempre será diferente.
Minha natureza é disciplinada, portanto preciso de uma estrada razoavelmente pré-definida para seguir. Mas minha alma é inquieta, o que me oferece a possibilidade de querer estradas vicinais no caminho para percorrer novas rotas, descobrir novos trajetos, conhecer novos olhares.
Durante as férias do Criative-se, tirei pessoalmente uma semana de férias em Búzios. E se parar, sair da rotina, romper com os horários fisiológicos já é bom sempre, em Búzios tudo isso fica muito melhor. Na verdade, solar que sou, acho que tudo, absolutamente tudo é mais bonito, colorido, ameno, divertido e intenso sob o céu azul. Até mesmo hibernar.
Não, não hibernei em Búzios, mas enquanto estivemos de férias, o blog pode repensar seus princípios, suas razões, seu porquês e afins. E, fundamentalmente, sair da rotina. Não há originalidade que resista se não formos capazes de nos reinventar todos os dias. Por mais metódicos que sejamos, sem emoção, sem surpresa, sem inovação não há como manter ligada a luz que nos permite ver diferente até mesmo o igual de todo o dia. Isso está na razão, inclusive, da palavra "férias".
Temos um ano inteiro pela frente, mas se existe algo que tenho buscado incorporar no meu cotidiano desde o primeiro dia de janeiro é um certo ar bom de férias. Um estado de leveza e descompromisso compromissado que tem me permitido exigir menos de mim. E curtir mais os dias repletos e os dias mais vazios também. Dar-me de presente ao prazer de viver sem culpa um dia lindo de sol, uma tarde inteira na praia, um olhar encantado para aquela coisa mágica e arredondada que toma o céu nas noites claras. Sim, é uma escolha, sujeita às intempéries e as mudanças de rota eventuais, aos fracassos e à insistência desmedida. Mas é uma escolha consciente.
Tão consciente e desencanada que me faz estar escrevendo essa crônica sem pé e nem cabeça, numa segunda-feira, às oito horas da manhã, mas sem pressa alguma. Tenho uma lista grande de compromissos para o dia, mas sei sem nenhuma razão concreta que vou conseguir realizar tudo. No tempo que tiver de ser, sem falhar com o meu tradicional pragmatismo, de olho nas próximas páginas do livro Rio das Flores, de Miguel Sousa Tavares, que leio com um imenso e delicioso prazer.
Tudo ao mesmo tempo agora. Mas sem pressa. Que nesse ano de 2011 o Criative-se consiga incorporar e alimentar esse ritmo. Porque foi assim desde o começo e se há começo que gostaríamos de preservar, sem dúvida o ar de férias que o blog sempre teve é um bem a ser cuidado. Por nós e por vocês também. Ajudem-nos a lembrar disso. E que as pessoas que vierem fazer parte da viagem experimentem o bom de brincar pelo prazer compromissado. Vá lá...que seja pelo compromisso prazeroso.
É bom estar de volta! E sim...continuo escrevendo às sextas-feira. Beijos
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Foram dias ótimos, mas estamos realmente sentindo saudades. Na segunda, dia 24 de janeiro, estaremos de volta. Lucia ainda ficará de férias até o final do mês. E as novidades vão começar a aparecer. Novo layout para o blog, novos blogueiros, muita coisa nova e boa por aí. Aguardem!! Beijos.




