Essa frase marcou a divertida noite de ontem. Fomos a uma Noite Mística, num bar aqui do Rio, para ouvir o que tinham a dizer para nós as cartas de dois jogos: o tarô e o oráculo maia.
A ideia de um oráculo maia – confesso – me parecia tão nova que preferi a saída mais conservadora. Fiz o tarô, que já tinha jogado uma única vez. Mas a mulher que jogava as cartas do oráculo – sim, eram cartas, embora eu tivesse inicialmente pensado que seria algo como uma bola de cristal ou imagem que emitisse sinais preditivos – tinha uma imagem tão confiante e convidativa que quis trocar. Já era tarde demais e não havia mais vaga disponível. Fica daqui a certeza: quero ouvir o oráculo maia e, principalmente, sua assertividade em estabelecer periodos para que o que nos angustia, se resolver.
Parece brincadeira, mas a certeza dela em relação às mulheres do nosso grupo que ouviram o oráculo foi tamanha que fiquei depois pensando se, tantas vezes, não somos nós mesmos que seguramos o relógio do tempo quando o tempo já passou ou quer desesperadamente andar.
Para uma das mulheres do nosso grupo – aliás, como mulher gosta dessas atividades que se expandem além das fronteiras do que é real e concreto, não é? Éramos umas 20 mulheres para cada homem. Proporção maior até mesmo do que a divulgada sobre o Flamengo, bairro carioca onde existem 100 mulheres para cada 73 homens. bom, retomando: para uma das mulheres de nosso grupo, as cartas do oráculo disseram algo mais ou menos assim: “Você precisa definir se você realmente quer alguém na sua vida, porque por mais que diga que quer um amor, no fundo acha que é chatíssima a ideia de ter que voltar a dividir algo com alguém. No momento que você definir, isso vai naturalmente acontecer. E te digo: em 180 dias vai aparecer alguém.”
180 dias para ser feliz? Caramba, mas são seis meses. Mas se o tempo cronológico nem sempre vem acompanhado do tempo que precisamos para entender o tempo, talvez seja justo ou razoável. E afinal, o oráculo disse: é preciso definir em você se você quer ou não quer alguém. Então, 180 dias parece o tempo da maturação.
A boa notícia é que para outra menina do grupo, mais objetiva nos seus desejos embora mais confuso no como fazê-lo, o tempo sugerido foi mais curto e otimista. Oito semanas. Acho que as cartas do oráculo maia só falam baseadas no número 8. Imagina que alguém ouvisse que em oito minutos encontraria o amor da vida. Tinha que olhar para o lado e procurar entre os pouquíssimos homens do bar, quem sabe os garçons, ou talvez descobrir aquilo que no fundo sempre sabemos: ser feliz não é um estado de latência. Querer ser feliz é que a história e isso certamente independe do alguém que vou encontrar nos 180 dias reservados para mim. Mas isso já é tema para uma próxima crônica. E nessa talvez até revele o que as cartas do tarô disseram para mim.
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