Essa é a pergunta e a razão de uma longa conversa ontem pela manhã. Homens se apaixonam da mesma forma que as mulheres? Pessoalmente, acho que se apaixonam sim. E perdem a razão, e se perdem em meio à razão. Mas é que a razão sob a ótica masculina é, digamos assim, menos grandiloquente. Talvez minha interpretação seja reducionista e, tenham certeza, não quero fazer isso. Até porque acho lindo homens apaixonados. Acho que esse momento os faz mais desarmados, se permitindo um "não pensar" verdadeiramente humanizador.
Mas foi essa discussão interessante que me fez lembrar de um texto que já escrevi aqui no Criative-se, também estimulado pelos longos papos que, volta e meia, ando batendo por aí. É esse texto que, com o perdão dos que já leram, mas também com o perdão dos que já esqueceram, reproduzo aqui. Vamos lá?
Será? Entendo que somos em tantos aspectos seres de planetas diferentes. Homens e mulheres têm olhares distintos sobre os meandros da paixão e do amor e sempre é muito mais compreensível ao nosso olhar o arroubo enlouquecido da paixão de uma mulher do que a de um homem. Sim, entendo que não há prazer mais intenso do que aquele que vivemos nos instantes da paixão. De mesma forma, concordo que não há nada mais confortável e relaxante do que se estar perto, junto de quem se ama e sem a intensidade da paixão que incendeia não apenas os sentidos, mas principalmente a razão. Porque paixão tem um elemento que embota a capacidade neuronal do raciocínio e se tantas vezes é a deliciosa queda livre da montanha russa, tantas outras é a escalada árdua no paredão de 90 graus das bobagens, do ciúme, do medo insano de perder.
Mas é a mulher apaixonada que transforma em conflito o bom de uma relação a dois? Seria essa uma característica feminina transmitida geneticamente no momento crucial em que, unidos, espermatozóide e óvulo, decidissem, mágica ou intencionalmente, que entre o xy e o xx a opção seria o xx? Que somos seres emocionalmente ativos, não há dúvida. Rita Carter, jornalista e autora de livros com embasamento cientifico sobre esse tema, lançou uma obra chamada "O Livro do Cérebro", onde ela revela que os dois lados de nosso cérero estão conectados por uma massa de fibras nervosas, chamada "corpus callosum", que realiza a comunicação entre eles. Nas mulheres, essa rede de fibras é um pouco maior, o que faz com que os dois lados do cérebro se conectem com mais facilidade. Daí a conclusão de que as mulheres são mais atentas emocionalmente porque incorporam pensamento e discurso com mais rapidez.
Acho que nós, mulheres, já sabíamos disso há muito tempo. Somos rápidas nessa coisa do pensar e falar. Tão rápidas que não raras vezes nos pegamos dizendo algo que talvez não fosse bom ser dito naquela hora. Mas, quando nos damos conta, a nossa agilidade em unir pensamento e discurso já fez cair por terra a incrivel capacidade de ser racional. Arroubo da paixão? Acho realmente que não. Até porque é também essa característica de unir pensamento e palavras que nos faz mais racionais e, tantas vezes, mais inteligentes emocionalmente. Homens - e os que aqui nos leem, certamente vão concordar - são mais emocionalmente primitivos. Gostam porque gostam: amam porque amam; e a equação é simples, tem resultado exato e sobre a qual não cabe discussão. Pois enquanto escrevo, penso: será que é esse o caminho no qual devemos pensar sobre a afirmação de minha amiga. São eles que devem se apaixonar porque, primitivos emocionalmente que são, entendem a relação como entrega total e sem todos aqueles senões e detalhes que se somam ao olhar da mulher sobre o que é a paixão e o amor?
Difícil, não? Acho que também por isso escolhemos a dedo os homens que até hoje estiveram escrevendo por aqui, no Criative-se. Os três - João, Rodrigo e Carlos - revelaram, entre suas letras, acentos e vírgulas, personalidades emocionalmente compatíveis com a alma feminina. E se eles existem, imagino os tantos que vocês conhecem e que também espelham essa "maturidade emocional" que atrai e seduz. Porque realmente não sei se vocês concordam, mas pessoalmente navego bem na simplicidade, no primitivismo, mas adoro uma complexidade, me alimento das interpretações filosóficas e não consigo olhar o mundo e nem as relações em uma só direção. Mas vou pensar mais sobre isso, sobre homens, mulheres e paixão. Volto ao tema assim que concluir ou me confundir com mais algum aspecto. De qualquer forma, pensem também e me contem como interpretam tudo isso.
Beijo grande. Até sexta!!!
































































